Laboratórios do Mundo Real
Um dos eixos centrais dos Centros de Educação e Cooperação Socioambiental são os Laboratórios de Mundo Real (LMR), entendidos como processos de pesquisa participativos e coletivos que se baseiam em contextos concretos. No encontro, foram definidas prioridades e criada uma agenda compartilhada e colaborativa de planejamento, produção e avaliação desses laboratórios. Inicialmente serão desenvolvidos dois Laboratórios do Mundo Real complementares:
O Departamento de Educação Ambiental e Cidadania do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (DEA/MMA) aporta o enquadramento político-institucional do Programa Nacional de Centros de Educação Ambiental e a perspectiva dos Centros de Educação e Cooperação Socioambiental (CECSAs) como estratégia de articulação territorial;
O Instituto Nacional da Mata Atlântica está desenvolvendo ações de planejamento integrado para avançar na implantação de um Centro de Educação e Cooperação Socioambiental (CECSA). Vinculados ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, esses centros são polos de mobilização que conectam saberes, comunidades e práticas com o objetivo de fortalecer a consciência ecológica, o exercício da cidadania ativa e a transformação social.
Rede interinstitucional e agenda integrada
“Como desdobramento do evento de lançamento, foi constituído um time de facilitadores do projeto, reunindo cientistas, educadores e comunicadores em diferentes níveis de carreira. O grupo passa agora à sistematização das contribuições do Seminário em um plano de pesquisa a ser implementado nos próximos meses no Museu, com potencial para ampliar o portfólio de práticas pedagógicas e fortalecer a qualidade das atividades educativas ofertadas pelo INMA, bem como formalizar novas parcerias institucionais”, finaliza Leopoldo Cavaleri Gerhardinger.
O Instituto Estadual do Meio Ambiente (IEMA) e a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEAMA) reforçam a conexão com as políticas públicas estaduais, seus desafios de implementação e oportunidades de fortalecimento dos Centros de Educação Ambiental no Espírito Santo.
“A comunicação científica que queremos fortalecer no INMA não é apenas transmissão de conhecimento, mas criação de vínculos. É sobre traduzir ciência em diálogo, escuta e pertencimento, conectando pessoas, territórios e futuros possíveis para a Mata Atlântica”, ressalta a responsável pela Comunicação do INMA, Cássia Helena Pereira Lima.
Visitas técnicas, painéis temáticos sobre ciência, educação, comunicação e políticas públicas e oficinas foram algumas das atividades desenvolvidas durante o Seminário. As atividades abordaram o diagnóstico de múltiplos passados, presentes e futuros da Mata Atlântica; mapearam práticas e estruturas pedagógicas educomunicativas e também a criação de roteiros audiovisuais sobre a temática. Durante o evento, estudantes dos colégios estaduais Maura Abaurre (Vila Velha) e José Pinto Coelho (Santa Teresa) construíram um banco de ideias de conteúdos audiovisuais que serão desenvolvidos no decorrer de 2026.
O Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração - Habitats Costeiros no Espírito Santo (PELD ES), desenvolvido pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), contribui para integrar a reflexão sobre Mata Atlântica, Rio Doce e Zona Costeira;
“A iniciativa mostra que a transformação socioambiental não nasce de respostas prontas, mas de processos coletivos. Quando ciência, educação e comunicação se entrelaçam com o território, criamos as condições para imaginar — e construir — futuros mais justos e sustentáveis”, afirma o pesquisador em Socioecologia do INMA e membro da organização do evento, Leopoldo Cavaleri Gerhardinger.
O seminário também evidenciou a força de uma rede interinstitucional que desenvolve uma agenda integrada de educação, comunicação científica e cooperação socioambiental no INMA/MBML. Entre os integrantes dessa rede, foram destacados:
O laboratório de Indicadores de Sustentabilidade do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (LADIS/INPE/MCTI) amplia as bases para o monitoramento participativo e a avaliação de impactos por meio do debate sobre indicadores e do sistema MonitoraEA.
Uma das ações mais recentes do processo de implantação do Centro foi o 1º Seminário de Planejamento Integrado “Tons da Esperança nos Biomas Mata Atlântica e Marinho Capixaba”, realizado entre os dias 17 e 19 de março no Auditório Augusto Ruschi, do Museu de Biologia Professor Mello Leitão (MBML), com apoio da FAPES e do CNPq. Durante o Seminário, representantes de órgãos públicos, escolas, universidades, laboratórios de pesquisa e organizações parceiras discutiram bases conceituais, metodológicas e operacionais para ações integradas em educação ambiental, comunicação científica, educomunicação, ciência cidadã e monitoramento de políticas públicas.
Os laboratórios de Educomunicação da Universidade do Estado de Santa Catarina (LELA/UDESC) e de Educação Ambiental da Universidade do Vale do Itajaí (LEA/UNIVALI) agregam referenciais teóricos e metodológicos em educomunicação e educação ambiental importantes ao território;
A programação buscou aproximar o marco nacional dos Centros de Educação e Cooperação Socioambiental do marco estadual dos Centros de Educação Ambiental (CEA) no Espírito Santo. A partir das discussões realizadas no Seminário, o trabalho do CECSA-INMA/MBML será estruturado em quatro eixos: 1) conectar territórios; 2) formar e mobilizar pessoas; 3) produzir e compartilhar conhecimentos; e 4) cuidar da transformação.
LMR-1: com foco em Santa Teresa e nos espaços do MBML/INMA;
LMR-2: voltado ao baixo Rio Doce e à zona costeira adjacente.





