Em mensagem exibida durante o webinário de lançamento, a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, destacou que a qualificação da gestão pública é fundamental para ampliar a qualidade e a efetividade dos serviços destinados às mulheres.
A formação está estruturada em seis módulos: Mulheres, Poder e Política: Fundamentos Conceituais e Marcos Normativos; Políticas Públicas para as Mulheres: Desenhos Institucionais e Gestão no Âmbito Local; Interseccionalidade nas Políticas para as Mulheres; Planejamento, Monitoramento e Avaliação de Políticas Públicas para as Mulheres; Orçamento Público, Parcerias e Capacitação de Recursos. Todos os conteúdos abordam a construção de políticas com perspectiva interseccional, considerando fatores como raça, território, geração, deficiência e outras desigualdades que impactam a vida das mulheres.
Estão abertas as inscrições para o Curso Gestoras em Rede – Formação em Gestão de Políticas Públicas para as Mulheres. Lançada nesta quinta-feira (2) pelo Ministério das Mulheres, em parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC), a iniciativa busca qualificar gestoras estaduais e municipais responsáveis pela formulação, coordenação e implementação de políticas públicas para as mulheres. Com carga horária de 96 horas, o curso combina atividades síncronas e assíncronas e integra uma estratégia nacional de fortalecimento institucional e de cooperação entre União, estados e municípios.
Coordenado pela Secretaria Nacional de Articulação Institucional, Ações Temáticas e Participação Política do Ministério das Mulheres, o curso foi estruturado para responder aos desafios enfrentados pelas gestoras nos territórios, oferecendo instrumentos para planejamento, execução, monitoramento e avaliação das políticas públicas. A formação também pretende consolidar uma rede permanente de troca de experiências entre as equipes que atuam nos Organismos de Políticas para as Mulheres (OPMs).
Segundo a secretária, embora o enfrentamento à violência permaneça como uma das principais atribuições dos organismos, a atuação das gestoras envolve um conjunto mais amplo de políticas públicas, como saúde, educação, trabalho, moradia, segurança pública, transporte, autonomia econômica e promoção da igualdade de gênero, raça e etnia.
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A professora de Direito da Universidade Federal do Ceará e integrante da coordenação pedagógica do curso, Juliana Diniz, explicou que a formação foi desenvolvida a partir das necessidades identificadas no cotidiano das gestoras, combinando fundamentos teóricos e instrumentos práticos para apoiar a atuação nos estados e municípios.
"A gestão em rede, quando feita com dedicação, competência e compromisso, muda a vida das pessoas. Muda a vida das mulheres que buscam os serviços públicos e fortalece a confiança nas instituições", afirmou. Segundo a ministra, o curso permitirá às gestoras aprofundar conhecimentos sobre planejamento, orçamento, execução de políticas públicas e trabalho em rede, elementos essenciais para aprimorar o atendimento oferecido à população.
A metodologia foi desenhada para facilitar a participação de gestoras de todas as regiões do país. As atividades on-line ampliam o acesso de profissionais de municípios de diferentes portes e fortalecem a cooperação entre os entes federativos, além da troca de experiências.
Segundo ela, o curso foi estruturado para desenvolver quatro capacidades essenciais à gestão pública: elaboração de diagnósticos, planejamento, organização da execução das políticas públicas e monitoramento e avaliação de resultados. A expectativa é que a experiência contribua para a consolidação de uma política permanente de formação de gestoras.
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Dados apresentados durante o lançamento mostram que, em 2024, havia Organismos de Políticas para as Mulheres em cerca de 30% dos municípios brasileiros. Em 2025, o número de estruturas em funcionamento passou de 1.306 para mais de 1.450. A secretária nacional Sandra Kennedy informou ainda que o levantamento mais recente já identifica mais de 1.600 municípios com algum organismo voltado às políticas para as mulheres. Os dados serão atualizados pelo novo censo nacional previsto para os próximos meses.
Metodologia e participação social
A vice-reitora da Universidade Federal do Ceará, Diana Cristina Azevedo, afirmou que a parceria reafirma o compromisso da universidade pública com a redução das desigualdades e o fortalecimento das políticas para as mulheres. Segundo ela, a formação responde a uma necessidade concreta dos municípios, especialmente daqueles que ainda enfrentam dificuldades para estruturar suas políticas públicas.
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Para Sandra Kennedy, o fortalecimento dessas estruturas exige investimento permanente na formação das equipes. "O curso é muito mais do que uma capacitação. Construímos um percurso formativo conectado à realidade de cada território, para que o conhecimento se transforme em ferramenta de gestão e contribua para ampliar o acesso das mulheres aos seus direitos", afirmou.
Assista ao webinário
Durante o lançamento, a vice-presidenta do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, Iyá Sandrali, destacou que os conselhos são espaços fundamentais de participação social, aproximando a sociedade civil do poder público e acompanhando a implementação das políticas voltadas às mulheres. Ela também defendeu a diversidade na composição desses colegiados, com representantes de movimentos sociais, universidades, organizações da sociedade civil e gestoras públicas.
Ao final do curso, as participantes desenvolverão diagnósticos e planos de ação voltados aos próprios territórios, aproximando os conteúdos da realidade local. A programação também prevê um encontro presencial, em Brasília, previsto para novembro, com as turmas em andamento.
Fortalecimento dos OPMs



