"A atividade em Manaus surgiu a partir de uma conversa com o professor Alfredo Wagner Almeida, do Projeto da Nova Cartografia Social, por conta dos Centros de Ciências e Saberes, especialmente aqueles em territórios indígenas", disse Larissa Guimarães, Superintendente do Iphan em Roraima.
A missão teve como objetivo aprender com quem já faz. A meta é implantar o Programa Conviver no Complexo Arquitetônico da Fazenda São Marcos, em Roraima — a primeira iniciativa dessa natureza em uma Terra Indígena (TI) no país.
Durante os três dias de atividade, a equipe do Iphan visitou o Centro de Ciências e Saberes (CCS) Kokama Antônio Samias, o Espaço Cultural Kokama Lua Verde e o Museu Vivo Karapãna. Mais do que espaços físicos, esses centros são "lugares de memória viva", administrados pelas próprias comunidades como instrumentos de afirmação identitária e defesa territorial.
Terra Indígena: um território que exige escuta
"Nós da Superintendência do Iphan em Roraima estamos apoiando o Depam na etapa consultiva junto aos indígenas da Terra São Marcos para a aprovação do Programa, seguindo o protocolo indicado em assembleia indígena estadual. Esta etapa é essencial para qualquer trabalho a ser realizado no território", afirma Larissa Guimarães.
Programa Conviver
Um dos pontos mais significativos do intercâmbio foi a percepção de que as metodologias do PNCSA e do Programa Conviver não apenas se complementam — elas se potencializam mutuamente. A autocartografia social pode enriquecer o diagnóstico participativo do Conviver; os Canteiros-Modelo, por sua vez, podem dar materialidade aos saberes registrados pela cartografia.
Uma visita que vale um protocolo
Criado para aproximar o Iphan das comunidades de baixa renda que convivem cotidianamente com bens tombados, o Programa Conviver representa uma ruptura com o modelo fiscalizatório tradicional. Em vez de autuações e restrições, o programa propõe diálogo, participação social e valorização dos próprios detentores do saber como protagonistas da conservação.
Uma equipe técnica do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) viajou a Manaus (AM) entre os dias 26 e 28 de maio para um intercâmbio que pode redefinir a forma como o Estado brasileiro se relaciona com comunidades indígenas guardiãs do patrimônio cultural.
A implantação do Programa Conviver na Fazenda São Marcos é inédita por uma razão fundamental: trata-se da primeira ação dessa natureza realizada dentro de uma Terra Indígena. Isso impõe responsabilidades e cuidados que vão além do protocolo técnico habitual.
A Superintendência do Iphan em Roraima está trabalhando em conjunto com o Departamento de Patrimônio Material (Depam) na etapa de consulta prévia, seguindo os protocolos estabelecidos em assembleia indígena estadual. Trata-se de um processo de escuta ativa e respeito à autonomia das comunidades, condição inegociável para qualquer intervenção no território.
Segundo a superintendente, a ideia foi muito bem acolhida pelo Gestor do Programa Conviver, Paulo Farsette, pensando na implantação do Programa Conviver no Complexo Arquitetônico da Fazenda São Marcos, que está localizado na Comunidade Indígena São Marcos.
Mais informações Assessoria de Comunicação Iphan - comunicacao@iphan.gov.br Danyelle Silva – danyelle.silva@iphan.gov.br
Quando dois saberes se encontram
A escolha de Manaus não foi aleatória. A cidade abriga experiências consolidadas de protagonismo comunitário em torno do patrimônio cultural, especialmente por meio do Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia (PNCSA), coordenado pelo professor Alfredo Wagner Almeida. Há 26 anos, o projeto desenvolve metodologias de autocartografia social em que os próprios povos tradicionais representam seus territórios — uma prática que dialoga diretamente com os princípios do Programa Conviver.
Segundo a superintendente Larissa Guimarães, as metodologias da Nova Cartografia podem colaborar diretamente com as do Programa Conviver, e vice-versa. "Por se tratar da primeira ação dessa natureza em uma TI, o compartilhamento de experiências nos auxiliará tanto nesta quanto em outras ações envolvendo povos e comunidades tradicionais nos mais diferentes territórios."
A principal estratégia são os Canteiros-Modelo de Conservação: núcleos de aprendizado onde arquitetos, antropólogos e especialistas trocam conhecimentos com moradores sobre técnicas construtivas tradicionais e conservação preventiva. O patrimônio deixa de ser problema para se tornar vetor de desenvolvimento, contribuindo para o combate à pobreza e à redução das desigualdades.
O que emerge desse encontro em Manaus é mais do que um intercâmbio técnico: é o esboço de uma nova política de patrimônio para territórios indígenas, construída a muitas mãos, com escuta, método e respeito. Para a superintendente Larissa Guimarães, o futuro começa no presente, e começa com uma atitude. "Será um momento para dialogarmos, convivermos e esperançarmos!"
Além do PNCSA e do Iphan (com representação de Roraima e do Amazonas), a atividade contou com a participação da Universidade Federal de Roraima (UFRR) e da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), ampliando o caráter interinstitucional e acadêmico do projeto.
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