Estados Unidos e Irã anunciaram o fim da guerra no Oriente Médio. O conflito, que durou mais de três meses, teve impacto mundial, com aumento do preço do petróleo e inflação em diversos países.
O anúncio de paz veio primeiro do Paquistão, país que vinha atuando como mediador do acordo. Pouco depois o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, escreveu em sua rede social: “O acordo com a República Islâmica do Irã está agora concluído. Parabéns a todos! Autorizo a abertura sem restrições do Estreito de Ormuz e, simultaneamente, autorizo a retirada imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos. Navios do mundo, liguem seus motores. Que o petróleo flua!”
O Irã também confirmou o fim da guerra. Em entrevista por telefone à TV estatal iraniana, o vice-ministro de Relações Exteriores do país, Kazem Gharibbadi, disse que nos próximos 60 dias os dois países vão negociar o acordo final e que o documento incluirá o fim das sanções norte-americanas ao Irã.
O acordo já foi assinado. Mas, segundo a Casa Branca, está prevista uma cerimônia para a assinatura presencial na sexta-feira, na Suíça. Até agora os detalhes do documento não foram divulgados.
Segundo o Paquistão, porém, um dos pontos de acordo é o fim dos ataques israelenses contra o Líbano. Mas o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, falou logo após o anúncio de paz entre Estados Unidos e Irã e disse que as forças israelenses vão permanecer no Líbano, no que chama de zona de segurança. Ele também afirmou que a luta não acabou.
Outro ponto da negociação é o fim do programa nuclear iraniano. O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou que o acordo vai eliminar o perigo atômico do Irã e mudará o Oriente Médio nos próximos 50 anos.
Já a questão do Estreito de Ormuz parece estar pacificada. Segundo Trump, os navios já começaram a se mover. Mas a abertura total do canal só ocorrerá na sexta-feira.
A guerra entre Estados Unidos e Irã começou no dia 28 de fevereiro, com ataques norte-americanos e israelenses contra o país persa. O conflito causou milhares de mortes, deslocamento em massa tanto no Irã como no Líbano e abalou a economia global por causa do fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% de todo o petróleo mundial.
Desde o início da guerra, o Repórter Brasil acompanha desdobramentos na economia. Um dos principais indicadores é a cotação do petróleo no mercado internacional. Só nesta segunda-feira (15), o valor caiu mais de 3%, queda acentuada.
Esse acordo traz uma onda de alívio global para o mercado. O Estreito de Hormuz é o foco central desse acordo. Com o anúncio da reabertura total, as bolsas subiram, o petróleo caiu e os ativos de risco voltam a atrair investimentos e capitais.
Na América Latina, o acordo representa uma baixa nos custos de frete, uma redução na importação de energia, redução nas commodities e também nos fertilizantes agropecuários.
No Brasil o cenário tem uma dupla face. Houve aumento do Ibovespa e valorização do real frente ao dólar, mas permanece a questão dos desafios domésticos. O acordo pode, sim, amenizar essa pressão inflacionária, segundo especialistas. Mas eles também afirmam que não haverá uma transformação imediata. Os efeitos devem ser percebidos no longo prazo ou, ao menos, no médio prazo.
“Vamos dizer assim: pra quem vai ali no supermercado no dia a dia, isso ainda vai demorar um pouco porque, entre você abrir o Estreito de Ormuz e normalizar todas as passagens dos navios petroleiros e normalizar a distribuição de petróleo, isso pode durar algumas semanas ou até meses, pra que a gente tenha essa normalização. Então, a curtíssimo prazo, eu não consigo ver na ponta final, pra quem vai comprar determinado produto ou serviço, um impacto positivo de agora. Mas a médio prazo sim, as contas devem arrefecer principalmente em relação aos preços das mercadorias. Se o preço do barril do petróleo desce, o combustível tem que ficar mais barato, e isso faz com que não apenas o combustível na bomba fique mais barato, mas diversos produtos que são distribuídos via rodoviária, que utilizam o combustível como uma das formas de precificar o produto final”, explica o economista Marcelo Bassani.
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