A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a suposta relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro foi marcada por acusações entre os magistrados e terminou sem uma decisão sobre a abertura ou não de uma investigação
A sessão teve embates acalorados, especialmente entre André Mendonça e Alexandre de Moraes. Moraes acusou Mendonça de ter acionado indevidamente a Polícia Federal e exigido que o nome dele fosse incluído em uma possível delação premiada de Daniel Vorcaro. André Mendonça disse que isso era mentira e negou o fato.
Outros momentos de tensão também foram protagonizados por Gilmar Mendes contra Luiz Fux e o próprio André Mendonça. Muitos deles tiveram como ingrediente informações recentemente divulgadas pela imprensa sobre outras mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, que fazem menções a outros ministros da Suprema Corte e seus familiares, além daquelas já divulgadas em relação a Alexandre de Moraes.
Essas novas informações vieram à tona após a Polícia Federal divulgar todos os dados do celular para os ministros, dados que até então eram apenas de conhecimento de André Mendonça. O material expõe conversas em tom de intimidade entre Vorcaro e o filho do ministro Luiz Fux, Rodrigo Fux. Também mostra referências a supostos pagamentos mensais de R$ 500 mil para o filho do ministro Nunes Marques, Kevin Marques. E ainda traz mensagens que sugerem suposta atuação de Mendonça a favor de Vorcaro em um processo de concessão de habeas corpus para o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro.
Um ponto importante da sessão foi a questão de ordem colocada pelo ministro Gilmar Mendes, que defendeu que o processo contra Alexandre de Moraes deveria ser julgado junto com o outro processo contra André Mendonça. Este último que tem o julgamento marcado para a próxima quarta-feira, dia 23
Votaram pelo julgamento em conjunto os ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin. O voto do ministro Dino foi suspenso após o pedido de vista. Os magistrados que defenderam o julgamento separado foram o presidente Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e a ministra Cármen Lúcia, que só se pronunciou ao apresentar seu voto na questão de ordem.
Compartilhar:
