O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reúnem nesta quinta-feira na Casa Branca. O encontro vinha sendo articulado pela diplomacia dos dois países há meses. Este é o terceiro encontro presencial entre Lula e Trump.
Um dos pontos mais sensíveis da reunião deve ser o Pix, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos. Os Estados Unidos abriram uma investigação sobre práticas comerciais consideradas injustas, e o Pix está entre os temas analisados. O sistema brasileiro é visto por empresas americanas como uma possível ameaça aos serviços tradicionais de pagamentos eletrônicos, como cartões de crédito.
Durante o encontro, Lula deve contestar as alegações contra o Pix. O sistema é atualmente o principal meio de pagamento do país. Integrado aos aplicativos bancários, funciona 24 horas por dia e não cobra taxas para pessoas físicas na maioria das operações. Em muitos casos, substituiu DOC, TED e boletos, reduzindo custos para consumidores e empresas.
Desenvolvido pelo Banco Central e lançado em novembro de 2020, o PIX movimentou R$ 35,3 trilhões em 2025, crescimento de 33,7% em relação ao ano anterior. Segundo dados do Banco Central, cerca de 170 milhões de pessoas e mais de 20 milhões de empresas utilizam o sistema. O Pix já superou os cartões de crédito em número de transações e volume financeiro movimentado.
O Banco Central afirma que o sistema ampliou o acesso da população aos serviços bancários e aumentou a concorrência no setor financeiro, contribuindo para a redução de tarifas. Inicialmente criado para transferências instantâneas entre pessoas, o Pix passou a incluir novas funções, como o Pix Cobrança e o Pix Automático.
A investigação comercial dos Estados Unidos começou em julho do ano passado, quando o escritório do representante comercial americano anunciou apuração sobre supostas irregularidades em práticas comerciais brasileiras. O Pix foi incluído entre os itens analisados.
Em resposta, o governo brasileiro afirmou que o sistema busca garantir segurança e eficiência no sistema financeiro sem discriminar empresas estrangeiras. Em documento enviado aos Estados Unidos, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, destacou que a administração do Pix pelo Banco Central garante neutralidade ao sistema e lembrou que outros bancos centrais, como o Federal Reserve americano, também desenvolvem ferramentas semelhantes.
Antes da viagem a Washington, o ministro da Fazenda, Dário Durigan, afirmou que os Estados Unidos possuem mecanismos parecidos, como o FedNow e o Zelle, e que o governo brasileiro está disposto a esclarecer dúvidas sobre o funcionamento do Pix.
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