Depois de anunciar um novo tarifaço contra o Brasil, o governo Trump propôs aplicar taxas adicionais aos produtos brasileiros. Desta vez, o Escritório de Comércio dos Estados Unidos incluiu o Brasil em um grupo de 60 países que, segundo o órgão, falharam em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Como resposta, foi sugerida uma tarifa de 12,5% sobre produtos desses países. O novo imposto pode se somar à tarifa de 25% anunciada na última segunda-feira (1º).
A ameaça de nova taxação foi destaque na reunião ministerial desta quarta-feira (3), conduzida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na abertura do encontro, Lula disse que foi pego de surpresa com a decisão do governo norte-americano porque estavam em negociação e que, após a conversa com Donald Trump no mês passado, tinha saído convencido de que estava estabelecida uma lógica no relacionamento democrático e civilizado entre os dois países.
Em seu discurso, Lula reforçou que é um momento decisivo para o reconhecimento pela sociedade brasileira e mundial do fortalecimento da democracia no país. Disse que o Brasil não pode ser tratado pelos Estados Unidos "como uma republiqueta insignificante".
O presidente listou as negociações feitas com o governo norte-americano e criticou o Secretário de Estado, Marco Rubio, dizendo que ele não gosta da América Latina. Lula acrescentou, sem citar nomes, que há brasileiros tentando fomentar a briga do Brasil com os Estados Unidos e isso afeta não a ele, mas à população.
Lula disse que, se os Estados Unidos não quiserem comprar os produtos brasileiros, o país vai buscar novos mercados. Afirmou ainda que vai enviar mais uma carta para Trump para negociação. Confira o que ele disse:
“Nós não podemos aceitar o tratamento que os Estados Unidos deu ao Brasil essa semana. Ninguém pode dizer que o Brasil se negou a negociar com os Estados Unidos. Eu fiquei sabendo da taxação primeiro pelo Twitter. É uma taxação consubstanciada com base em inverdades. Com base em inverdade porque o deficit que os Estados Unidos dizem ter com o Brasil não existe. O Brasil é que tem deficit em relação aos Estados Unidos. Portanto, se alguém tivesse que fazer uma taxação, seria o Brasil contra os Estados Unidos e não os Estados Unidos contra o Brasil. E o que é que nós fizemos? Nós não fizemos bravata, nós não fizemos discurso. Nós resolvemos construir uma narrativa para tentar mostrar não só aos Estados Unidos, mas a outros países, a insensatez da punição ao Brasil”.
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