Amanhã, dia 27 de outubro, é aniversário do presidente Lula: 81 anos, que serão comemorados às vésperas de iniciar o quarto mandato de presidente da República, eleito democraticamente. "Nunca antes na história deste país", um político conseguiu tanto. Vamos ver agora como foi essa trajetória.
Lula nasceu na pequena cidade de Garanhuns, no interior de Pernambuco, em 1945. Filho de uma família pobre. O sétimo dos oito filhos de dona Eurídice Ferreira de Mello e seu Aristides Inácio da Silva. Em 1952 fugiram da seca no sertão nordestino, na carroceria de um caminhão. Foram tentar dias melhores no Sudeste do país.
A vida nas periferias da cidade de São Paulo, onde moravam pobres e retirantes, foi de dificuldades. Lula começou a trabalhar com 12 anos de idade; aos 14 teve a carteira assinada. Formou-se torneiro mecânico no Senai, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Tornou-se operário: metalúrgico em São Bernardo do Campo, uma das cidades industriais do ABC paulista. Em 1969 ingressou na vida sindical. Em 1975 elegeu-se presidente do sindicato dos metalúrgicos. Eram tempos de ditadura militar. As garantias democráticas, proibidas; as manifestações contrárias ao regime, prescritas.
Mas em 1979 Lula comandou uma greve por melhores salários: 170 mil operários pararam as fábricas do ABC paulista. O movimento foi reprimido com rigor. A falta de políticos que representassem os trabalhadores no Congresso Nacional, fez com que os líderes sindicais começassem a pensar num partido político. Nessa mesma época, a ditadura começava a perder força. O país vivia um momento de abertura política e reinvindicações democráticas.
No começo de 1980, Lula, junto com outros sindicalistas, lideranças políticas e alguns intelectuais, fundaram o PT. No mesmo ano, uma nova greve no ABC levou à intervenção no sindicato; Lula foi preso junto com outros operários. Saíram da cadeia um mês depois.Em 1984 Lula participou da campanha pelas Diretas Já, o movimento que uniu o Brasil na luta pelo direito de votar para presidente da República. Embora as eleições diretas não tivessem sido conquistadas naquele momento, a ditadura terminou com a eleição, no Congresso Nacional, de Tancredo Neves à presidência do país.
Em 1986, Lula foi eleito deputado federal e participou da Assembleia Nacional Constituinte. Terminado o mandato, ele disputou, em 1989, a primeira eleição direta para presidente. Nas duas eleições seguintes, em 1994 e 1998, Lula voltou a se candidatar, mas acabou derrotado, duas vezes, por Fernando Henrique Cardoso. Só em 2002 Lula foi eleito presidente, numa aliança construída com vários partidos de esquerda. E que teve um empresário, José Alencar, como candidato à vice-presidente.
O mandato do primeiro operário a chegar à presidência foi marcado por um ciclo de forte crescimento econômico, avanços sociais, criação de empregos, distribuição de renda e sucesso em programas de erradicação da pobreza. As melhorias conquistadas pelo país, garantiram a Lula uma segunda eleição à presidência, em 2006. Esse mandato também foi marcado por crescimento econômico e distribuição de renda, apesar de uma crise, sem precedentes, no sistema financeiro internacional. A popularidade de Lula era grande e ele fez a sucessora à presidência da República em 2010.
Dilma Roussef foi a primeira mulher a ocupar o cargo no Brasil, em 120 anos de história republicana. Mas, ao contrário dos governos petistas anteriores, o mandato de Dilma foi afetado por turbulências na área econômica e crises políticas iniciadas com a Operação Lava-Jato, que apurava denúncias de corrupção. O legado de Lula e a honra do ex-presidente foram atacados, numa campanha de denúncias, muitas infundadas e sem sustentação jurídica, que acabaram com a condenação dele, em 2018, a nove anos de prisão.
Na cadeia, Lula recebeu a visita de várias lideranças políticas, inclusive de personalidades estrangerias. Foram 508 dias de encarceramento, até o Supremo Tribunal Federal anular a sentença porque o caso não deveria ter sido julgado num único tribunal, uma instância em Curitiba. Em liberdade, Lula voltou à cena política revigorado.
Na campanha presidencial de 2022, Lula construiu uma frente de apoios, que reuniu lideranças dos mais diversos setores da sociedade brasileira; todos preocupados com o avanço da extrema direita que ameaçava o futuro do Estado de Direito e da democracia brasileira. Mas Lula foi reeleito em 2022, com mais de 60 milhões de votos. Foi o único brasileiro a chegar três vezes à presidência da República, pela vontade popular, em eleições livres.
Em 1º de janeiro de 2023, Lula subiu a rampa do Palácio do Planalto para iniciar um terceiro mandato, que foi marcado pela reconstrução de políticas sociais e cuidados ambientais abandonados pelo antecessor; pela aprovação da reforma tributária; pela reinserção do país no cenário internacional, tudo em meio a desafios econômicos e fiscais que exigiram intensa articulação política no Congresso.
Agora, Lula reeleito com mais de 64 milhões de votos, numa virada histórica no segundo turno sobre Flávio Bolsonaro, se prepara para o quarto e último mandato de uma trajetória que fez dele o maior líder político da história do Brasil.
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