Presidente defende criação de um fundo como o do Pré-Sal para beneficiar a população brasileira e reafirma que não tem ressalvas a parcerias com países estrangeiros, desde que o processo de industrialização seja feito em território nacional
Em entrevista ao Sem Censura, da TV Brasil, nesta sexta-feira, 22 de maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou que o tema das terras raras e dos minerais críticos deve ser trabalhado como questão de soberania nacional. “Eu criei um conselho nacional para tratar a questão das terras raras e esse conselho vai ser ligado diretamente à Presidência, porque estamos tratando isso como questão de segurança nacional. É uma coisa de Estado, é soberania nacional”, disse.
Um fundo tem que ser criado para garantir que o povo brasileiro, o mais humilde, que mora no mais longínquo lugar, tenha direito a participar disso. Para que seja um motor de desenvolvimento econômico".
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Presidente da República
“Nós não vamos fazer com os minerais críticos e com as terras raras o que foi feito com o minério de ferro, que era cavucar e ir vendendo. Não. Queremos que o processo de transformação seja feito no Brasil. Quem quiser vir, discutir conosco e fazer a pesquisa, fazer a prospecção e quiser fazer o processo de industrialização aqui no Brasil, nós estaremos dispostos a conversar com todo mundo”, destacou.
De acordo com levantamento publicado na edição 2025 do U.S. Mineral Commodity Summaries, documento elaborado pelo U.S. Geological Survey (USGS), braço científico do Departamento de Interior dos Estados Unidos, o Brasil é o segundo país mais rico em terras raras do globo, com 23% das reservas mundiais. Fica atrás apenas da China, que detém 49% dessas reservas.
“Só conhecemos 30% do nosso território. Significa que temos que fazer o levantamento em 70% ainda. Temos que criar um fundo, porque isso é propriedade do povo. Então, se a gente vai ganhar dinheiro com isso, um fundo tem que ser criado para garantir que o povo brasileiro, o mais humilde, que mora no mais longínquo lugar, tenha direito a participar disso. Para que seja um motor de desenvolvimento econômico”, explicou.
MULTILATERALISMO — No programa, Lula salientou também o papel do Conselho de Segurança das Nações Unidas para pôr fim aos conflitos internacionais. O presidente voltou a defender o multilateralismo como estratégia de negociação entre os países e a urgência de que os membros permanentes do Conselho se reúnam para buscar soluções.
"O mundo gastou nos últimos anos US$ 2,7 trilhões em armas. E não gastou nada para combater a fome? Não gastou nada para combater o analfabetismo? Não gastou nada para ajudar os países que não têm energia? Eles são os responsáveis por isso. Nós temos que fazer com que o multilateralismo volte a funcionar", salientou o presidente.
Lula disse, ainda, que o Brasil precisa estar no Conselho de Segurança da ONU, pontuando a necessidade de que outros países também componham o fórum. “Acho que o Brasil tem que estar. A Alemanha tem que estar. O Japão, a Nigéria, a Etiópia, a África do Sul, o México, a Índia. A geopolítica de hoje não é a de 1945”, analisou.

