Margareth Menezes destaca protagonismo brasileiro nas políticas culturais na XXII Conferência Ibero-Americana de Ministras e Ministros da Cultura
Titular da Cultura também presidiu reunião do Grupo de Amigos para Ação Climática Baseada na Cultura, ao lado do titular do ministro dos Emirados Árabes Unidos, às margens da Mondiacult 2025 Compartilhe: Compartilhe por Facebook Compartilhe por Twitter Compartilhe por LinkedIn Compartilhe por WhatsApp link para Copiar para área de transferência
Publicado em
28/09/2025 18h37
Foto: Juliana Uepa/MinC
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, seguiu com sua agenda de reuniões em Barcelona, neste domingo (28), com destaque para cooperação Ibero-Americana, para o reforço da posição do Brasil nos debates sobre clima e cultura e liderança em debates multilaterais.
A XXII Conferência Ibero-Americana de Ministras e Ministros da Cultura foi o primeiro compromisso oficial do dia, reunindo representantes dos países ibero-americanos para alinhar prioridades regionais nas vésperas da Mondiacult 2025.
Em seu discurso, Margareth destacou a centralidade dos direitos culturais para a construção de sociedades mais justas e pacíficas. “Direitos culturais não são abstratos. Eles fortalecem identidades, ampliam repertórios, estimulam a criatividade, promovem o diálogo intercultural e ajudam a construir sociedades mais pacíficas, capazes de conviver com as diferenças. É responsabilidade do Estado garantir esses direitos”, declarou.
O encontro também foi marcado por convergência regional em torno de temas como cultura e direitos na era digital, bem como cultura e ação climática. Em declaração à imprensa local, o secretário-geral ibero-americano, Andrés Allamand, destacou que a revisão da Carta Cultural Ibero-Americana é “um passo necessário para atualizar as políticas culturais à altura dos desafios atuais, incluindo a transição digital, a igualdade de gênero e a ação climática”.
A titular do MinC defendeu a atualização da Carta Cultural Ibero-Americana, promulgada em 2006, para refletir os desafios do presente. A revisão, segundo Margareth, também deve reconhecer os trabalhadores da cultura como parte essencial da economia criativa e ampliar os direitos de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais.
“A nova carta deve refletir os temas e os dilemas do nosso tempo. Ela precisa, por exemplo, contemplar os direitos culturais no ambiente digital, garantir remuneração justa para artistas e criadores e inserir a cultura nas estratégias de combate às mudanças climáticas”, ressaltou a ministra.
Já o ministro da Cultura da Espanha, Ernest Urtasun, anfitrião do encontro, afirmou que Barcelona “representa um espaço simbólico para reafirmar a cultura como direito humano fundamental e pilar de sociedades mais inclusivas e sustentáveis”.
“A Carta Cultural Ibero-Americana foi pioneira em 2006. Agora, temos o dever de atualizá-la para refletir um mundo profundamente transformado — digital, interconectado e em crise climática”, assegurou.
Além disso, a ministra brasileira apresentou durante a agenda exemplos de políticas culturais brasileiras, como a Política Nacional de Cultura Viva, consolidada como política de Estado e referência em 14 países ibero-americanos; e o Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), que descentraliza recursos e garante financiamento contínuo para municípios e estados.
Reunião Ministerial de Alto Nível do Grupo de Amigos para Ação Climática Baseada na Cultura
Na sequência, Margareth Menezes e o ministro da Cultura dos Emirados Árabes Unidos, Sheikh Salem bin Khalid Al Qassimi, presidiram a 3ª Reunião Ministerial de Alto Nível do Grupo de Amigos para Ação Climática Baseada na Cultura, realizada na véspera da Mondiacult.
O encontro reuniu ministros e representantes de diversas regiões do mundo para endossar a Declaração de Barcelona — documento final da reunião que estabelece compromissos dos países membros com a inserção da cultura em políticas nacionais de combate às mudanças do clima.
Durante a abertura, Margareth Menezes agradeceu à UNESCO, principal parceira de conhecimento do Grupo. Também agradeceu à Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI) pelo apoio na realização do evento. “A cultura é parte essencial da ação climática. Sem cultura, não há como garantir uma transição justa, inclusiva e concentrada nas pessoas”, destacou.
Nos últimos anos, o grupo alcançou conquistas importantes no cenário internacional. Em 2023, o Grupo de Amigos foi criado, à margem da COP 28, em Dubai. Na COP 29, o grupo aprovou seus termos de referência. A agenda de cultura e clima também foi reafirmada em fóruns multilaterais, em 2025, como o G20, sob presidência da África do Sul, o BRICS, sob a presidência do Brasil, o Mondiacult 2025, além da COP 30.
O coordenador-geral de Assuntos Internacionais do MinC, Vinicius Gurtler, contextualizou a origem e o papel do grupo. “O Grupo de Amigos foi criado durante a COP28, em Dubai, em 2023, e tem como co-presidentes o Brasil e os Emirados Árabes Unidos. Nesta reunião, discutimos o poder da cultura para transformar corações e mentes, levar conhecimento e conscientização sobre educação ambiental e necessidade de mudança de comportamento necessária para um mundo com justiça climática e sustentabilidade. A Declaração de Barcelona orienta os países para um caminho futuro de ação, considerando a cultura como parte fundamental da solução climática”.
Durante a sessão, foi aprovada a Declaração de Barcelona, que define compromissos para integrar a cultura às estratégias climáticas nacionais — abrangendo patrimônio, artes, indústrias criativas e saberes tradicionais. O documento também prevê ações de mobilização dos setores culturais, proteção da biodiversidade e aceleração da adaptação de espaços e expressões culturais diante da crise climática. “Essa declaração é um marco. Não é apenas uma manifestação da vontade política, mas um compromisso de ação, um olhar para o futuro”, ressaltou a ministra.
“Tenho a satisfação de anunciar a adoção da Declaração de Barcelona do Grupo de Amigos para Ação Climática baseada na Cultura. Pela primeira vez, temos uma agenda estruturada e consensual para guiar a inserção da cultura na ação climática, reconhecendo o papel da cultura na adaptação, mitigação, construção de resiliência e mobilização transformadora. Esse é um momento histórico”, discursou a ministra.
Foto: Luciele Oliveira/MinC
A Declaração também reforça o apoio à adoção de indicadores de adaptação para o patrimônio cultural na COP30, que será realizada em 2025, em Belém do Pará. Alem disso, com o apoio do MinC, foi possível inserir a cultura como eixo de trabalho da Agenda de Ação da Presidencia da COP30, com metas a serem implementadas até o próximo balanço global, previsto para 2028.
“Saímos daqui com compromissos claros: integrar a cultura nas estratégias nacionais, proteger o patrimônio material e imaterial, reduzir a pegada de carbono dos setores culturais, apoiar a adoção dos indicadores de adaptação da COP30 e fortalecer a mobilização social através da cultura”, reforçou Sheikh Salem.
Cerimônia de abertura do Mondiacult 2025
Encerrando o dia, a ministra participou do jantar oficial de boas-vindas da Mondiacult 2025. O encontro marcou o início oficial das discussões multilaterais que vão orientar os rumos das políticas culturais globais nos próximos anos.
Considerada o principal fórum internacional de governança cultural, a Mondiacult reúne ministros da cultura dos 193 Estados-membros da Unesco, representantes da sociedade civil, especialistas, artistas, jovens e outros profissionais do setor cultural para definir prioridades globais e negociar a Declaração da Mondiacult 2025, documento que orientará a agenda cultural nos próximos anos.
A Mondiacult debaterá, a partir de segunda-feira (29), temas estratégicos como direitos culturais, cultura e educação, economia da cultura, transformação digital, patrimônio em crises e cultura e ação climática. Novas áreas de foco também ganham destaque em 2025: inteligência artificial aplicada à cultura e cultura para a paz. A ministra também terá falas em plenárias e painéis temáticos sobre cultura, clima e patrimônio em tempos de crise, além de reuniões bilaterais com autoridades da Colômbia, Espanha, México, Uruguai, China, África do Sul, Portugal, entre outros.
Categoria Cultura, Artes, História e Esportes





