O Ministério da Educação (MEC) — por meio da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) e da Universidade Federal de Roraima (UFRR), entidades vinculadas à Pasta — assumiu, nesta quinta-feira, 23 de maio, a gestão do Hospital das Clínicas Dr. Wilson Franco, que se converterá no Hospital Universitário da UFRR (o primeiro do estado). Além disso, será implantada a primeira Unidade de Retaguarda Hospitalar dos Povos Indígenas (URHPI) do Brasil, com a criação de 35 leitos na primeira fase da implantação.
A obra de implantação do hospital universitário da UFRR contará com investimento de R$ 100 milhões do governo federal, divididos em: R$ 50 milhões provenientes do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC); e R$ 50 milhões do Fundo Amazônia.
Com a parceria, a população de Boa Vista (RR) e da região terá um hospital voltado à formação e à especialização profissional na área da saúde, bem como ao desenvolvimento de estudos clínicos inovadores. Está prevista, ainda, a construção de um bloco dotado de Centro Cirúrgico e Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para adultos. O número de leitos será ampliado de 128 para 180, sendo 20 destinados à UTI. Além disso, pode-se chegar a 220 leitos com a construção do bloco destinado ao atendimento a povos indígenas. Outra novidade é a previsão de criação do Centro de Imagem e do Ambulatório de Especialidades Médicas.
O Ministro de Estado da Educação, Camilo Santana, parabenizou a equipe da Ebserh e da UFRR pelo projeto da URHPI, cujo objetivo é fortalecer a rede de saúde do estado. A expectativa é ampliar e qualificar o acesso dos povos indígenas aos serviços hospitalares e ambulatoriais especializados, além de: reduzir o tempo de espera para exame e do período das famílias nas Casas de Apoio à Saúde Indígena (Casais).
“Hoje é um marco histórico para a Universidade Federal de Roraima. Isso vai ajudar muito na formação, na prática dos nossos alunos de medicina aqui, no campus da universidade, e vai ampliar os serviços de atendimento à população através do SUS [Sistema Único de Saúde]. E uma novidade que vai ser pioneira no Brasil: que será o Bloco de Atendimento aos Povos Indígenas. Vai ser uma experiência inovadora, que poderá servir também para outros estados no futuro”, afirmou.
De acordo com o presidente da Ebserh, Arthur Chioro, o Bloco de Atendimento aos Indígenas terá ambientes adaptados, com enfermarias preparadas tanto com leitos (camas) como com rede. Os vasos sanitários e os utensílios também serão adaptados à realidade e às necessidades dos pacientes indígenas. “Um dos desafios que nós temos é não apenas aprimorar o Hospital de Clínicas e transformar em um hospital universitário, mas, como foi dito aqui, construir a primeira Unidade de Retaguarda Hospitalar dos Povos Indígena do País. Se trata de garantir a ampliação do hospital na sua dimensão clínica e cirúrgica para adultos e, ao mesmo templo, implementar essa unidade de URHPI”, pontuou.
De acordo com a estudante de medicina Luiza Souza, a UFRR sempre lhe proporciona oportunidade, seja por meio dos docentes do curso, seja por meio das experiências de pesquisa que a universidade propõe. Ela também destacou que o advento do hospital universitário vai gerar mais condições para a aplicação dos conhecimentos adquiridos por meio do curso — não só para os acadêmicos de medicina, mas também para os da área da Saúde como um todo. A estudante acredita que isso também vai beneficiar a população em geral.
O secretário especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Weibe Tapeba, considerou a ocasião histórica, por Roraima ter o primeiro hospital universitário que levará as ações de atenção especializada de alta e média complexidade exclusiva para a população indígena brasileira. Ele pontuou, ainda, que a intenção do Ministério da Saúde é expandir o projeto para os demais territórios indígenas do Brasil. “Acreditamos que o que estamos fazendo aqui é uma reparação histórica de povos que sofreram com violação de diretos humanos de forma histórica, de omissão, de negligência, e essa emergência sanitária tem muito o que ensinar, de que os povos indígenas precisam, de fato, ser respeitados cada vez mais”, ressaltou.
Weibe Tapeba lembrou que o Programa Mais Médicos, executado pelo Ministério da Saúde em parceria com o Ministério da Educação, é uma política que garante, cada vez mais, o fortalecimento dos princípios do Sistema Único de Saúde. “Graças a ele [ao programa], conseguimos recrutar 40 médicos fixados no território Yanomami, levando assistência para essa população”, contou.O reitor da Universidade Federal de Roraima, José Geraldo Ticianeli, destacou que, dos cinco hospitais universitários previstos no novo PAC, o da UFRR é o primeiro a conseguir implantar o contrato de gestão. Também pontuou que saúde e educação sempre devem ser uma política de Estado, e nunca de governo. “Talvez, aqui, nós temos um exemplo disso, em que pessoas de diferentes partidos, ideologias, esferas administrativas se unem em prol de uma população. E quando isso acontece, as coisas se concretizam, elas se materializam, e o nosso hospital foi um exemplo disso”, concluiu.
Parceria – O Hospital Universitário da UFRR é o primeiro do estado de Roraima, fruto da doação à União do Hospital das Clínicas Dr. Wilson Franco, que pertencia ao estado. Para o governador de Roraima, esse é um fato inédito. Ele acredita que a Ebserh vai trabalhar para auxiliar o governo do estado a melhorar a qualidade de vida do povo de Roraima. “Quem ganha é toda a nossa população, toda a comunidade acadêmica e os estudantes de medicina e enfermagem. Quem ganha também é a saúde de Roraima, a universidade federal daqui do estado, o Ministério da Saúde. Enfim, é uma ação que vai beneficiar toda a população de Roraima”, comemorou.
Ebserh – Vinculada ao MEC, a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares foi criada em 2011 e, atualmente, administra 42 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Transmissão
Álbum de fotos
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Ebserh e da UFRR


