Novos servidores concluíram curso de formação na Enap e já estão em exercício em órgãos da Administração Pública Federal
O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), por meio da Secretaria de Governo Digital (MGI), promoveu, no início de setembro, a recepção da segunda turma de Analistas em Tecnologia da Informação (ATIs), formada por 230 novos servidores aprovados no Concurso Público Nacional Unificado (CPNU 1). O encontro foi realizado no auditório Celso Furtado, no Bloco K da Esplanada dos Ministérios, em Brasília (DF).
Os novos servidores foram aprovados no CPNU 1, convocados para o curso de formação realizado pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap) e, após a conclusão da etapa de formação, iniciaram o exercício em diferentes órgãos e entidades da Administração Pública Federal.
A carreira de Analista em Tecnologia da Informação possui caráter transversal. Os servidores são lotados na Secretaria de Governo Digital, no MGI, mas podem atuar em diferentes órgãos e entidades da Administração Pública Federal, contribuindo para o desenvolvimento e a implementação de políticas, sistemas e soluções de tecnologia da informação no governo federal.
Durante a recepção, o secretário de Governo Digital, Rogério Mascarenhas, destacou a importância de os novos servidores compreenderem o papel da tecnologia na oferta de serviços públicos e manterem o cidadão como referência para sua atuação. “O que a gente procura fazer é, em vez de estar com o foco na aplicação ou naquela política pública, olhar para o cidadão e ver a necessidade dele. Esse é o grande trabalho que a gente tem aqui”, afirmou.
Mascarenhas também ressaltou o trabalho realizado para alocar os profissionais de acordo com seus perfis e com as necessidades dos órgãos do Sistema de Administração dos Recursos de Tecnologia da Informação (SISP). “Todos vocês vieram de várias áreas, tinham habilidades que procuramos alocar de acordo com as necessidades da Administração. A gente procurou casar cada currículo com a necessidade do órgão, com aquilo que já buscávamos há algum tempo”, explicou.
Alocação estratégica
O diretor de Gestão dos Recursos de Tecnologia da Informação, Luiz Augusto Monfardini, explicou que o processo de alocação dos novos ATIs considera informações sobre o perfil profissional dos servidores, o histórico apresentado durante o processo de seleção e formação e as necessidades identificadas nos órgãos do SISP.
Segundo ele, a estratégia permite ampliar a capacidade de tecnologia da informação em órgãos que tradicionalmente contavam com estruturas menores na área. “Fizemos a alocação de ATIs em órgãos que normalmente nem recebiam servidores da área de TI. Alguns deles não estavam muito preparados para receber esses profissionais. E aí, chegando com servidores capacitados, bem instruídos, com conhecimento de como a Administração funciona e de como o SISP funciona, muitas vezes vocês estão chegando a um órgão conhecendo mais da área de TI do governo do que as próprias pessoas que já estavam lá”, afirmou Monfardini.
A chegada da nova turma ocorre em um momento de expansão da carreira. De acordo com o diretor, o número de ATIs passou de 408 para 760 servidores. A carreira está prevista para contar com 1.300 cargos, e a SGD trabalha para ampliar a capacidade de tecnologia da informação necessária à transformação digital dos órgãos federais.
Monfardini também destacou que a distribuição dos profissionais entre diferentes órgãos faz parte de uma estratégia de fortalecimento da capacidade estatal em tecnologia, especialmente diante do aumento das demandas relacionadas à transformação digital.
Tecnologia para transformar o Estado
Para o presidente da Associação Nacional dos Analistas em Tecnologia da Informação (ANATI), Luiz Alexandre, a atuação dos novos servidores está diretamente relacionada à formulação e à implementação de políticas públicas. “Vocês, homens e mulheres, constroem as políticas públicas do futuro deste país, e toda política pública envolve tecnologia”, afirmou.
Segundo ele, os profissionais da carreira têm papel relevante tanto nos órgãos onde estão alocados quanto na atuação coordenada pela SGD, contribuindo para que as políticas públicas sejam implementadas por meio de soluções tecnológicas adequadas às necessidades do Estado e da sociedade.
Novos caminhos
A chegada à carreira também representa uma mudança significativa na trajetória profissional e pessoal de muitos dos novos servidores. Vindos de diferentes regiões do país, eles passaram pelo curso de formação da Enap e, posteriormente, se mudaram para Brasília ou para outras localidades para assumir o exercício nos órgãos federais.
É o caso de Gabriel Araújo, que veio de São Paulo. A mudança de cidade, a distância da família e a experiência de iniciar uma carreira no serviço público federal fizeram parte dos desafios enfrentados desde o curso de formação. “Desde o curso de formação venho enfrentando muitos desafios para estar aqui e, até pouco tempo atrás, me perguntava quase diariamente se fiz a escolha certa: mudança de cidade, ficar longe da família e as peculiaridades de Brasília. Com um mês de trabalho, estou processando melhor essas informações e vejo pontos positivos na escolha que fiz”, contou.
Antes de ingressar na carreira de ATI, Gabriel trabalhou na área de desenvolvimento social. A experiência contribuiu para sua percepção sobre a relação entre tecnologia e políticas públicas. “Por ter trabalhado no desenvolvimento social, tenho a clareza de que, por mais distante que a gestão pública pareça no dia a dia, tudo lá na ponta é focado em impactar a vida do cidadão”, afirmou.
Para ele, a transformação digital pode contribuir para decisões mais qualificadas e políticas públicas mais efetivas. “A transformação digital entra exatamente aí: ajudando a tomar decisões baseadas em dados para criar políticas públicas mais assertivas para quem precisa, além de garantir transparência e dados abertos para que a própria população possa acompanhar o governo.”
Também recém-chegado ao serviço público federal, Marcus da Mata, de Goiás, vê na carreira a possibilidade de unir sua experiência técnica às necessidades da Administração Pública. Com experiência em tecnologia, dados e inteligência artificial, ele afirma que o primeiro desafio é compreender os processos e sistemas já existentes. “No curto prazo, o foco é mesmo ir me firmando como ATI, entendendo direitinho os processos e sistemas que já existem na área e, desse modo, ir construindo com o que já trago de bagagem em tecnologia, dados e inteligência artificial”, explicou.
Para Marcus, a carreira permite aplicar conhecimento técnico com um objetivo maior. “A carreira de ATI junta esse lado técnico com a possibilidade de melhorar, de verdade, a gestão e a entrega de serviço para a sociedade.”
A trajetória também representa uma mudança de vida para Regla Bem, do Piauí, que está ingressando agora no serviço público federal. Neste primeiro momento, ela pretende conhecer a Administração Pública e entender como pode contribuir a partir de sua área de atuação. “Minha principal meta neste primeiro momento é aprender. Quero aproveitar bastante os primeiros meses para conhecer o funcionamento da Administração Pública, entender na prática os processos e a dinâmica do meu órgão, além de observar como o meu trabalho pode contribuir da melhor forma”, afirmou.
Para Regla, a possibilidade de produzir impacto positivo por meio do trabalho é uma das principais motivações para a nova etapa profissional. “Uma das maiores satisfações é saber que o meu trabalho pode gerar um impacto positivo na vida das pessoas por meio do serviço público.”
A nova turma também inclui servidores que enfrentaram mudanças ainda maiores para assumir o cargo. Aos 26 anos, Helen Cristina deixou o interior do Ceará, onde viveu toda a vida, para se mudar para Brasília após ser convocada para o curso de formação. “Deixar minha cidade e ficar longe da família é, sem dúvida, a parte mais difícil desse processo”, contou. Apesar dos desafios, ela vê a mudança como o início de uma nova trajetória. “Foi essa coragem que me trouxe até Brasília, e espero construir, como ATI, uma trajetória de aprendizado, crescimento e contribuição para o serviço público.”



