As respostas aos impactos das mudanças climáticas precisam considerar as desigualdades de gênero e os efeitos específicos vivenciados por mulheres e meninas em situações de risco e desastre. Com esse compromisso, o Ministério das Mulheres realizou, nesta segunda-feira (22), em São Luís (MA), a Oficina de Apresentação do Protocolo Mulheres e Emergências Climáticas: Diretrizes e Recomendações para a Proteção de Direitos na Gestão de Riscos e Desastres.
“Se não tiver justiça de gênero, não tem justiça climática. O que estamos fazendo hoje aqui é chamar esse conjunto de mulheres, em cada um dos seus lugares de atuação, para dizer que precisamos combinar justiça climática com justiça de gênero”, afirmou.
Acesse aqui a íntegra do Protocolo Mulheres e Emergências Climáticas.
Durante a oficina, além de debaterem as diretrizes para tornar as respostas locais mais inclusivas, os participantes receberam exemplares impressos do protocolo e cartilhas de apoio para aplicar esse conhecimento diretamente nas pontas, onde a população mais precisa.
Inspiração que vem de Juiz de Fora (MG)
A atividade reuniu uma rede diversa de proteção: representantes de Organismos de Políticas para as Mulheres (OPMs), profissionais das áreas de saúde, assistência social e defesa civil, além de gestores públicos e instituições parceiras. O encontro contou ainda com os participantes do 17º Congresso Internacional da Rede Unida, que já estavam na capital maranhense.
“Foi um momento muito importante de apresentação do protocolo, de tirar dúvidas e de refletir sobre como ele pode ser utilizado pelos movimentos sociais e pelas gestões estaduais e municipais para estruturar ações na perspectiva da gestão de riscos de desastres”, disse.
Um dos destaques do encontro foi o relato da experiência de Juiz de Fora. Os participantes do município mineiro compartilharam as ações integradas que realizaram durante as enchentes locais, mostrando como a articulação entre diferentes secretarias foi fundamental para recuperar o território e, acima de tudo, reconstruir a dignidade e a vida das mulheres afetadas.
Troca de experiências e aplicação nos territórios
Desenvolvido pelo Ministério das Mulheres, o protocolo serve como um guia humanizado e técnico para orientar os órgãos sobre prevenção, resposta e recuperação de desastres, garantindo que o recorte de gênero seja respeitado em todas as etapas de atendimento.
Ao final, a coordenação do evento avaliou que o encontro cumpriu sua principal missão: capilarizar o debate e entregar ferramentas reais para que estados e municípios saibam como agir. “Foi um espaço muito diverso e conseguimos apresentar o protocolo e discutir como as emergências climáticas impactam a vida das mulheres”, concluiu Ana Lúcia Sousa Pinto.
Na abertura do encontro, a secretária-executiva do Ministério das Mulheres, Eutália Barbosa, destacou que a crise climática exige respostas públicas que enfrentem desigualdades históricas e incorporem a perspectiva de gênero às políticas ambientais e de gestão de riscos. Ao mencionar a elaboração do Plano Clima, que mobilizou mais de 25 ministérios, ela ressaltou a participação do Ministério das Mulheres na construção dessa agenda.
Para a coordenadora-geral de Participação Social e Ações Climáticas do Ministério das Mulheres, Ana Lúcia Sousa Pinto, o grande valor da oficina foi conectar a teoria do papel à realidade das comunidades. O espaço permitiu que equipes de diferentes setores — da assistência social à defesa civil — trocassem saberes sobre como acolher e proteger a população feminina em momentos críticos.




