Parceria com a Unilab
A iniciativa nasce em um contexto no qual as mulheres representam 51,2% da população brasileira, mas ainda enfrentam desigualdades históricas no acesso aos espaços de poder, decisão e formulação de políticas públicas. O programa busca contribuir para transformar esse cenário ao fortalecer lideranças femininas, ampliar capacidades de incidência política e promover uma formação comprometida com os direitos humanos, a democracia participativa e a justiça social.
O lançamento do PROFAM integra o processo de fortalecimento das políticas para as mulheres promovido pelo Governo Federal desde 2023, com a reconstrução das capacidades institucionais do Ministério das Mulheres, a ampliação da rede de Organismos de Políticas para as Mulheres e o fortalecimento dos mecanismos de participação social.
Homenagem a Lélia Gonzalez
Formação conectada aos territórios
A parceria agrega ao programa experiência acadêmica e metodológica para o desenvolvimento das atividades formativas, que contam com equipe técnica, professoras convidadas, palestrantes e recursos de acessibilidade. O investimento total é de R$ 400 mil.
Para a secretária nacional de Articulação Institucional, Ações Temáticas e Participação Política do Ministério das Mulheres, Sandra Kennedy, o PROFAM representa um investimento estratégico na formação de lideranças e no fortalecimento da democracia.
O perfil da turma também evidencia desafios enfrentados pelas mulheres brasileiras. Cerca de 26,8% das participantes são mães solo, 12,7% são responsáveis pelos cuidados de pessoas com deficiência e há cursistas em contexto de violência doméstica. Para o Ministério das Mulheres, esses dados reforçam a importância de políticas públicas que reconheçam as desigualdades estruturais e fortaleçam o protagonismo das mulheres nos territórios.
Fortalecimento das políticas para as mulheres
Programa Nacional de Formação Lélia Gonzalez, Presente!
A metodologia reúne referências da educação popular, do feminismo negro, das escrevivências e das pedagogias críticas e emancipatórias, valorizando os conhecimentos produzidos pelas próprias mulheres em seus territórios e fortalecendo a conexão entre universidade, movimentos sociais e organizações comunitárias.
Nesta primeira edição, o PROFAM reúne 181 mulheres de diferentes regiões do país, refletindo a diversidade racial, territorial e cultural brasileira. Do total de participantes, 79% são mulheres negras — sendo 43,1% pretas e 35,9% pardas —, além de mulheres indígenas, quilombolas, mulheres de axé, migrantes, mulheres com deficiência, mulheres das águas, dos campos e das florestas, integrantes de povos e comunidades tradicionais, mulheres periféricas, educadoras populares e defensoras de direitos humanos.
O Ministério das Mulheres, em parceria com a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), realizou, nesta quarta-feira (1º), a aula inaugural do Programa Nacional de Formação para Mulheres Lélia Gonzalez, Presente! (PROFAM). A iniciativa marca o início de um amplo processo de formação política, intelectual e cidadã voltado ao fortalecimento da participação das mulheres na construção, no monitoramento e no controle social das políticas públicas em todo o país.
A execução do PROFAM é realizada pela Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), instituição federal criada em 2010 com a missão de promover a integração acadêmica, científica e cultural entre o Brasil e os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
A programação reuniu referências nas áreas da educação, da cultura e da promoção dos direitos das mulheres, entre elas Jacqueline Costa, professora da Unilab e mediadora da aula inaugural; Maria de Tiê, mestra do Notório Saber e liderança quilombola do Cariri (CE); Cristiane Sobral, escritora, dramaturga e referência do feminismo negro; e Melina de Lima, historiadora, pesquisadora e neta de Lélia Gonzalez, intelectual que inspira e dá nome ao programa.
Transmitida ao vivo pelo YouTube do Ministério das Mulheres , a aula inaugural contou com saudação em vídeo da ministra das Mulheres, Márcia Lopes, e participação da secretária nacional de Articulação Institucional, Ações Temáticas e Participação Política, Sandra Kennedy.
Ao homenagear a intelectual, filósofa e ativista Lélia Gonzalez, o programa reafirma o compromisso do Governo Federal com a promoção da justiça racial e de gênero e com a valorização das contribuições das mulheres negras para a construção da democracia brasileira.
Entre os objetivos do programa estão a formação de lideranças comunitárias, a ampliação da participação das mulheres em espaços de decisão, o incentivo ao debate sobre direitos sociais e justiça climática, a valorização dos saberes ancestrais e a formação de multiplicadoras capazes de disseminar conhecimentos e fortalecer políticas públicas em suas comunidades.
Mais do que um curso de formação, o PROFAM se consolida como estratégia de fortalecimento da democracia participativa, valorização de vozes historicamente invisibilizadas e formação de mulheres capazes de atuar como lideranças, multiplicadoras de conhecimento e defensoras de direitos em seus territórios.
O percurso formativo foi concebido a partir de uma perspectiva interseccional, que reconhece as diferentes experiências vividas pelas mulheres e articula temas como igualdade de gênero e raça, participação política, direitos humanos, sustentabilidade e justiça climática.
“Investir na formação das mulheres é investir na democracia. Cada mulher que amplia seus conhecimentos, fortalece sua liderança e ocupa novos espaços de participação ajuda a transformar sua comunidade e a construir um Brasil mais inclusivo, diverso e igualitário”, destacou.
Com o tema “Empoderamento das Mulheres: Interseccionalidades, Escrevivências, Gênero e Justiça Climática”, o PROFAM será desenvolvido ao longo de 2026 e do primeiro semestre de 2027.
Reconhecida como uma das principais referências do pensamento feminista negro no Brasil, Lélia Gonzalez dedicou sua trajetória à análise das relações entre racismo, sexismo e desigualdade social, deixando um legado que inspira a formulação de políticas públicas comprometidas com a equidade e os direitos humanos.

