Morreu nessa terça-feira (9), aos 86 anos, o cineasta, escritor e produtor cultural Orlando Senna. Ele foi também diretor da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Orlando Senna era baiano de Lençóis, na Chapada Diamantina. Mudou-se para Salvador no fim da década de 1950, em meio à efervescência cultural da Universidade Federal da Bahia, do engajamento político dos estudantes e dos questionamentos do Cinema Novo, que começava a ganhar as telas.
Iniciou a carreira no cinema, como assistente de Roberto Pires, no filme Tocaia no Asfalto. Dirigiu curtas-metragens e peças de teatro, com atuação no Centro Popular de Cultura. No fim da década de 1960, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde dirigiu o primeiro longa-metragem, "A Construção da Morte".
Em 1975, Senna dividiu a direção de "Iracema, uma Transamazônica", com Jorge Bodanzky. Produção que virou referência no cinema brasileiro, por misturar ficção e documentário. O filme incomodou a ditadura e Senna teve problemas com o governo. Na década de 1990, saiu do país para dirigir e dar aulas na Escola de Cinema de Santo Antônio de Los Baños, em Cuba.
Nos anos 2000, Senna assumiu a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura e, em 2007, participou da criação da TV Brasil e se tornou diretor da Empresa Brasil de Comunicação.
Ao longo de mais de 60 anos, Orlando Senna construiu uma trajetória marcante na cultura brasileira. Conviveu com artistas importantes como Jorge Amado, Glauber Rocha, Chico Buarque, Ruy Guerra e também foi amigo do prêmio Nobel de Literatura, Gabriel García Márquez.
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