Ao longo de quase um século, o Ministério fortaleceu direitos, modernizou serviços e ampliou políticas para proteção, qualificação e geração de emprego e renda.
O Ministério do Trabalho e Emprego celebra, nesta quarta-feira (26 de novembro), 95 anos de trajetória. Ao longo de quase um século, a pasta tem sido peça-chave na construção e no aperfeiçoamento das relações entre empregadores e trabalhadores, com o compromisso permanente de promover trabalho decente e fortalecer direitos no Brasil.
Criado em 1930 pelo presidente Getúlio Vargas, sob a denominação “Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio”, o órgão tinha como missão inicial mediar as relações entre trabalhadores e empregadores — função que, até então, era atribuída ao Ministério da Agricultura. Desde então, o MTE e as relações de trabalho passaram por transformações profundas. Em 2017, a Reforma Trabalhista promoveu mudanças significativas, flexibilizando normas e ampliando práticas como terceirização e pejotização. Dois anos depois, em 2019, o Ministério foi extinto pela primeira vez, tendo suas atribuições incorporadas ao Ministério da Economia.
Em 2023, na nova gestão do presidente Lula, o MTE foi recriado e deu início a um amplo processo de reconstrução institucional. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, ressaltou que o período de extinção fragilizou a estrutura da pasta. “Estamos reconstruindo o MTE. Realizamos concursos para auditor-fiscal do Trabalho, que resultaram na nomeação de 855 novos servidores, com o objetivo de preparar o Ministério para as demandas de um mercado de trabalho em constante transformação. Mas ainda há muito o que aperfeiçoar”, afirmou. O último concurso para a carreira havia sido realizado em 2013.
Ao longo de sua trajetória, o MTE tem se reinventado para acompanhar as transformações do mundo do trabalho. Hoje, entre os principais desafios estão a revolução digital, que pode eliminar postos de trabalho, e os impactos das mudanças climáticas nas condições laborais. Para o ministro Luiz Marinho, essas transições precisam ocorrer de forma justa, e o caminho para isso é o diálogo social tripartite entre governo, trabalhadores e empregadores. “Foi sentando-se à mesma mesa que conquistamos os maiores avanços trabalhistas do país”, destacou. O ministro reforçou que a atuação do governo se apoia em três pilares inseparáveis: trabalho decente, diálogo social e inclusão.
Desde 2023, o Ministério do Trabalho e Emprego vem implementando ações para garantir serviços de qualidade a trabalhadores e empregadores.
Direitos dos Trabalhadores
O MTE firmou quatro pactos com diretrizes de boas práticas:
- Pacto do Trabalho Decente no Meio Rural
- Pacto pelo Trabalho Decente na Viticultura
- Pacto pelo Trabalho Decente na Cafeicultura
- Pacto Intergovernamental de Promoção do Trabalho Decente
Outras ações:
- Salário mínimo: retomada da política de valorização, garantindo ganho real acima da inflação, interrompida entre 2017 e 2022.
- Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT): mudanças no sistema de vale-refeição e vale-alimentação, beneficiando 22 milhões de trabalhadores, 322 mil empresas e 743 mil estabelecimentos credenciados.
- Lei da Igualdade Salarial: monitoramento e cobrança das empresas para corrigir discrepâncias salariais entre homens e mulheres na mesma função.
Geração de Emprego e Renda
- Empregos formais: o Brasil alcançou mais de 48,9 milhões de vínculos ativos em setembro de 2025, um marco histórico.
- Taxa de desemprego: caiu para 5,6%, o menor índice em mais de uma década.
- Crédito do Trabalhador: linha de financiamento com juros reduzidos para trabalhadores formais.
- Escola do Trabalhador 4.0: parceria com a Microsoft renovada até 2030, ampliando vagas de 5,5 milhões para 10 milhões em cursos online gratuitos na área de tecnologia e inteligência artificial.
- Aprendizagem Profissional (Lei nº 10.097/2000): número de aprendizes atinge recordes mensais; em setembro de 2025 havia 710 mil contratos ativos.
- Programa Manuel Querino de Qualificação Social e Profissional: voltado à capacitação de pessoas em situação de vulnerabilidade social, promovendo inclusão socioprodutiva.
- Acordo de Cooperação Técnica com o Sistema S (Senai, Senat, Senac e Sesi): ampliou a oferta de vagas de qualificação no país.
- Lei Paul Singer: transforma a Economia Popular e Solidária em política de Estado, fortalecendo coletivos de trabalho e empreendimentos solidários.
- Programa de Formação Paul Singer – Agente de Economia Popular e Solidária: desenvolvido em parceria com a Fundacentro para organizar e expandir empreendimentos solidários nos territórios.
MTE Mais Digital
- Carteira de Trabalho Digital: novos serviços para empresas e trabalhadores, como intermediação de mão de obra, consulta de contratos e canal de denúncias.
- FGTS Digital: tornou o processo de arrecadação mais ágil, seguro e transparente, beneficiando empresas e trabalhadores.
- Atualização do Cadsol e do Cadastro Nacional de Entidades Sindicais (CNES).
Apoio em Situações de Calamidade
Em ações realizadas no estado do Rio Grande do Sul e no município de Rio Bonito do Iguaçu (PR), o MTE garantiu:
- Parcelas adicionais do seguro-desemprego
- Bolsa qualificação para trabalhadores com contratos suspensos
- Liberação do FGTS para trabalhadores
- Suspensão dos recolhimentos do FGTS para empresas
Ações de Fiscalização do Trabalho
- Trabalho infantil: mais de 16 mil ações entre 2023 e 2025, retirando mais de 6 mil crianças e adolescentes de situações de exploração, 86% delas nas piores formas.
- Lista Suja: em 2025, 248 empregadores foram incluídos, sendo 43 por práticas de trabalho análogo à escravidão no âmbito doméstico.


