Os dicionários são aplicativos bilíngues que combinam áudio, vídeo, imagens e textos para apoiar a documentação, o ensino e a revitalização de línguas indígenas. Funcionam sem internet e já são utilizados por comunidades de oito povos indígenas da Amazônia.
Texto: Erika Morhy
“Estou muito emocionada. Agradeço a todos os povos indígenas do Brasil, que confiaram no nosso trabalho. Agradeço ao Museu Paraense Emílio Goeldi; ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, que apoia e dá suporte ao trabalho com os povos indígenas; e à Fundação Banco do Brasil, por essa iniciativa maravilhosa. Nesta década, na Década Internacional das Línguas Indígenas [2022-2032], esse trabalho é fundamental para a gente continuar apoiando a revitalização das línguas dos povos originários nesse país que hoje se chama Brasil. Nós queremos todas as línguas vivas”, declarou Vilacy.
Agência Museu Goeldi – O Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) é um dos sete vencedores do 13º Prêmio da Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social com o projeto Dicionários Multimídia de Línguas Indígenas, coordenado pela pesquisadora Ana Vilacy Galúcio e com a participação de povos da Amazônia Legal e da University of New Mexico. Ao lado de Mário Purubora, ela recebeu o prêmio durante a cerimônia realizada na última sexta-feira (29), em Brasília.
Em nome do Banco do Brasil, o vice-presidente de Governo e Sustentabilidade da instituição, José Ricardo Sasseron, assegurou que os inscritos “trouxeram os saberes da população brasileira, trouxeram a diversidade do Brasil para o prêmio, trouxeram tecnologias que transformam a vida das pessoas. Vocês são o retrato do Brasil”.
Revisão: Carla Serqueira
Fizeram parte da comitiva à capital do país, Artur Ribeiro, bolsista do Museu Goeldi, e Diana Rodrigues, pesquisadora do Museu Goeldi e representante da Associação Brasileira de Ensino, Pesquisa e Extensão em Tecnologia Social (Abepets).
A elaboração da tecnologia é feita a partir da demanda dos povos aos pesquisadores, no intuito de garantir a sobrevivência de sua língua materna, e com a participação estreita das comunidades e de quem ainda domina o conhecimento em alguma medida. Sobretudo, a tecnologia tem a capacidade de se adaptar às necessidades particulares de cada língua. Estas são também as qualidades que garantiram que o projeto se tornasse um dos 40 finalistas entre os 1.107 inscritos no edital da premiação. Além do júri técnico, os projetos ainda passaram por votação popular e contaram com a produção de vídeos-documentários .
Mário Purubora, da Aldeia Aperoi, localizada no município de Seringueiras (RO), atuou como pesquisador e sabedor indígena durante a elaboração do Dicionário Multimídia da Língua Purubora. Ele já utiliza os dicionários na escola Iwara Purubora, onde estão reunidos cerca de 20 estudantes, entre crianças, adolescentes e adultos. Mário participou, junto com a pesquisadora Ana Vilacy, da última etapa de escolha de projetos a serem premiados, dias antes do anúncio dos vencedores, e alertou, na ocasião de entrega da premiação, para a responsabilidade do Estado brasileiro em garantir os direitos dos povos indígenas pela demarcação de seus territórios.





