Israel e Líbano começaram, nesta terça-feira (14) as negociações para tentar dar fim aos ataques israelenses que já mataram mais de duas mil pessoas no Líbano nas últimas 6 semanas. Essa é a primeira vez que representantes dos dois países se encontram pessoalmente para negociações diretas em mais de uma década.
As negociações que podem levar ao fim dos ataques israelenses contra o Líbano trazem esperança, mas também são vistas com ceticismo por parte da população libanesa. Hassan deixou a casa dele com a família por causa dos bombardeios e agora vive em uma tenda. Ele conta que quando anunciaram o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã ele comemorou e começou a arrumar suas coisas para voltar para a aldeia onde morava. Mas em questão de horas, eles, os poderosos, cancelaram as negociações.
Este outro morador de Beirute fala que já é hora dos libaneses finalmente viverem em paz. “A bênção de vivermos no Líbano não deve ser prejudicada por nenhum outro país”, disse.
A chance de paz está nas negociações que começaram hoje em Washington, nos Estados Unidos. Além dos embaixadores de Israel, Yechiel Leiter, e do Líbano, Nada Hamden, o Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, também esteve no encontro. Essa é a primeira vez que representantes dos dois países se encontram pessoalmente para negociações diretas em mais de uma década, já que Israel e Líbano não possuem relações diplomáticas.
Em um comunicado, o presidente libanês Joseph Aoun disse esperar que as conversas levem ao fim do sofrimento libanês. Ele também destacou que a estabilidade só retornará ao Líbano quando Israel desocupar o sul do país e houver um reposicionamento do exército libanês até a fronteira internacionalmente reconhecida.
O Hezbollah, porém, rejeita qualquer acordo que saia do encontro. Ontem o chefe do grupo Naim Qassem pediu ao governo libanês que cancelasse a reunião e disse que o Hezbollah não irá se render.
A tensão entre os dois países é antiga. Dessa vez, a justificativa de Israel para os bombardeios e ocupação de parte do Líbano é combater o grupo xiita Hezbollah, aliado do Irã. Mas essa não é a primeira vez que Israel invade o Líbano. O exército israelense ocupou o sul do território em 1982, quando o Hezbollah sequer existia, para combater milícias palestinas. Só saiu no ano 2000.
Agora, a retirada do exército israelense e fim dos bombardeios no Líbano se tornou um ponto central para um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã para acabar com o conflito no Oriente Médio.
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