Uma ameaça dos Estados Unidos à soberania das eleições no Brasil. O presidente Donald Trump citou a condenação por coação de Eduardo Bolsonaro, ontem, feita pelo Supremo Tribunal Federal, para tentar colocar em suspeita as eleições para a presidência, em outubro. O presidente Lula pediu respeito e respondeu logo em seguida.
Como nenhum dos dois países solicitou, Donald Trump e Lula não tiveram uma reunião formal, mas houve citações nas declarações à imprensa, depois do encerramento do G7. Trump, ao responder se conversou com Lula sobre as tarifas aos produtos brasileiros e a designação de terrorista para as organizações criminosas, em tom de ameaça, citou as eleições no Brasil. Chamou o país de “politicamente difícil” ao afirmar que um filho de Jair Bolsonaro teria sido preso enquanto disputava a presidência, numa referência equivocada a Eduardo Bolsonaro, que foi condenado ontem pelo Supremo por coação no curso do processo da tentativa de golpe.
“Na verdade, passei bastante tempo com ele. O Brasil se tornou um país um pouco complicado, né? Politicamente. A situação política ficou um pouco perigosa. Você está falando do Brasil, certo? Tem sido desagradável. Ouvi dizer que prenderam hoje uma pessoa que estava concorrendo à Presidência. Fiquei sabendo disso depois que saímos de lá, eu acabei de me despedir dele. E depois ouvi que prenderam o Bolsonaro Júnior. Ele estava indo bem nas pesquisas e o prenderam porque ele fez uma declaração no Texas. Prenderam ele ou querem prendê-lo. Eles jogam bem pesado. Mas ninguém joga mais pesado do que os Estados Unidos. Veja, nossas eleições são totalmente manipuladas. Nós temos eleições manipuladas.”
A reação do presidente Lula veio logo em seguida, também em uma coletiva de imprensa.
"Eu acho que ele conhece pouco o Brasil. Se ele conhece o Brasil pela relação que tem com a família Bolsonaro, ele desconhece o Brasil. O Bolsonaro já está preso. Não tem país no mundo, e os EUA poderiam aprender com o Brasil, com eleições mais tranquilas, mais leves e menos conturbadas. Não tem país do mundo que tem um sistema de urna eletrônica como o nosso. Então, se tem alguém que tem que aprender com as eleições civilizadas no Brasil é o meu amigo Trump. Na próxima vez eu vou levar a urna eletrônica para mostrar para ele como que ela funciona, tá? Ele tem direito de ter as preferências eleitorais dele. Eu só espero que ele não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania, só espero isso. Para mim ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, não tem nenhum problema. Agora, não se meta nas eleições do Brasil porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil. A única coisa que eu quero é o respeito pelo Brasil, que eu tenho pelos EUA. Só isso."
Durante o G7, Lula e Trump se cruzaram, falaram rapidamente, posaram para fotos oficiais e se cumprimentaram, nesse registro feito pelo veículo ICL Notícias.
O presidente teve reuniões bilaterais com chefes de outros países. Entre eles, Emmanuel Macron, da França, com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Os dois falaram sobre as negociações para o cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia para encerrar a guerra que já dura 4 anos.
Lula também disse que falou com os líderes sobre a necessidade de pensar no emprego em tempos de Inteligência Artificial e defendeu a regulação das redes. Também afirmou que a razão de não ter pedido reunião bilateral com o norte-americano foi porque as negociações sobre as tarifas estão em andamento.
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