O embaixador da Suíça no Brasil, Hanspeter Mock, falou sobre a relação duradoura com o Museu Goeldi, destacando o fortalecimento, a celebração e a continuidade da parceria e do "legado suíço" na Amazônia, em especial no projeto de restauração da “Casa Goeldi” . “Estamos muito gratos e felizes por participar deste grande aniversário dos 160 anos e por continuar trabalhando junto com o Museu e com o Estado do Pará na parceria público-privada com empresas para a renovação da casa onde Emílio Goeldi morou lá no Museu. A ideia é concretizar essa renovação e, para isso, faço um chamado a patrocinadores, a empresas, que se juntem a nós, acho que é realmente um projeto que vale a pena porque olha para o futuro, para uma parceria Suíça e Brasil, falando de meio-ambiente, preservação, mas também de inovação e de respeito aos saberes ancestrais”.
Um encontro com a imprensa
O diretor do Museu Goeldi, Nilson Gabas Júnior, abriu a sequência de falas institucionais, saudando as autoridades presentes e a diversa plateia. Em seguida, destacou a resiliência da instituição diante de crises que atravessaram seus 160 anos. “Ao olharmos para trás, contemplamos uma trajetória repleta de conquistas transformadoras. O Museu Goeldi não é apenas uma das mais antigas instituições de pesquisa no Brasil, mas também é um farol de inovação e de vanguarda na América Latina. As crises econômicas globais e as pandemias, ao longo de 160 anos, carregam em sua essência a semente da resistência. Haveremos de passar por esse momento decisivo com profunda lucidez, consciência crítica e união”.
Escritor e diretor do Theatro da Paz, Edyr Augusto Proença mencionou a importância histórica da celebração pelos 160 anos do Museu Goeldi ocorrer no Theatro da Paz, reconhecido pela Unesco, no último mês de julho, como patrimônio cultural da humanidade, em candidatura conjunta com o Teatro do Amazonas, em Manaus. “A cultura e a ciência sempre estiveram muito ligadas. Isso tem tudo a ver com estarmos hoje aqui no Teatro da Paz, festejando esta data maravilhosa e essa instituição. O Museu Paraense Emílio Goeldi é uma joia mundial, tamanha é a sua importância para a pesquisa”.
Para celebrar a noite histórica, as frisas, os camarotes e a área central do Theatro da Paz foram ocupados por um público representante do corpo técnico-científico e de funcionários terceirizados, aposentados e estudantes da instituição, assim como seus familiares e representantes de organizações parceiras do MPEG. Antes do espetáculo da orquestra Amazônia Jazz Band começar, algumas autoridades falaram para a plateia sobre o legado do Museu Goeldi, mas, sobretudo, sobre a importância da sua atuação centenária na preservação de coleções científicas, na formação de pesquisadores e no desenvolvimento de pesquisas com foco na preservação da sociobiodiversidade amazônica.
Agência Museu Goeldi – Enquanto eram executados os hinos do Brasil e do Pará, o telão do Theatro da Paz, em Belém, exibia uma sequência de imagens que ilustravam a missão e a longevidade do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), em seus “160 anos de Amazônia”. O momento marcou o início da solenidade que celebrou, na noite de quinta-feira (15/10), não apenas mais um aniversário da instituição de pesquisa mais antiga da região, mas também uma data histórica. Com participação contínua na produção da ciência brasileira desde o século 19, o MPEG atravessou o século 20 e alcançou a terceira década do século 21 mantendo-se, ao mesmo tempo, pioneiro e inovador.
Trajetória de conquistas transformadoras
"Uma joia mundial"
Após os discursos, os 23 músicos da orquestra Amazônia Jazz Band entraram no palco, arrancando aplausos da plateia ao longo de todo espetáculo, que durou em torno de uma hora e meia. Reconhecida como patrimônio imaterial de Belém, sob a regência do maestro Eduardo Lima, a banda apresentou um repertório com músicas autorais, composta por integrantes da orquestra presentes no palco. Um dos momentos mais emocionantes contou com a presença da cantora Carol Ferreira, convidada a realizar uma homenagem para Nossa Senhora de Nazaré, interpretando duas canções, uma delas de autoria própria. O público não decepcionou ao longo do show, com aplausos e gritos motivados pela admiração.
O concerto comemorativo na noite desta quinta-feira foi uma homenagem ao Museu Goeldi realizada pelo Governo do Estado, por meio do Theatro da Paz e da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), com o apoio da Embaixada da Suíça no Brasil.
Assim como na abertura da solenidade, ao som dos hinos, os pronunciamentos no palco do Theatro da Paz também foram ilustrados por fotos que mostraram a vista aérea do Parque Zoobotânico; as instalações da Estação Científica Ferreira Penna, na Floresta Nacional de Caxiuanã; as salas onde estão preservadas as coleções científicas no Campus de Pesquisa do Museu Goeldi; além de eventos institucionais e expedições de pesquisadores em campo, entre outros.
"Faz parte do nosso patrimônio"
“Não se faz ciência de um dia para o outro”
A parceria Suíça–Brasil
Antes do início da solenidade, por volta das 18h30, os profissionais da imprensa tiveram a oportunidade de conversar com as autoridades presentes no evento sobre a história da instituição centenária na Amazônia, as pesquisas realizadas na atualidade e os desafios da ciência no futuro, entre outros temas. Participaram da entrevista coletiva: o diretor do Museu Goeldi, Nilson Gabas Júnior; o embaixador da Suíça no Brasil, Hanspeter Mock; o diretor do Theatro da Paz, Edyr Augusto Proença; o diretor-presidente da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas do Pará (Fapespa), Marcel do Nascimento Botelho; e o secretário de Estado da Cultura, Bruno Chagas.
O secretário de Estado da Cultura, Bruno Chagas, mencionou a importância do Parque Zoobotânico do Museu Goeldi na construção do afeto pela ciência no Pará e ressaltou o potencial da relação entre a arte e a ciência para o desenvolvimento da região. “A Secretaria de Cultura do Governo do Estado do Pará entra nessa parceria e celebração, como parte fundamental de fomentar e incentivar a arte e a memória, mas, acima de tudo, preservar o patrimônio que nós todos conhecemos e que faz parte da nossa cultura, da nossa tradição aqui de Belém, que é o Parque Zoobotânico, lá na Magalhães Barata. Faz parte do nosso patrimônio, nesse contexto da preservação e da valorização”.
A ciência presente no cotidiano
Representando a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, a secretária de Políticas e Programas Estratégicos do MCTI, Andrea Latge, ressaltou a importância do trabalho realizado pelo MPEG não apenas para a região, mas também para a ciência brasileira. “É muito importante todo esse trabalho que o museu tem feito, não só aqui pra Amazônia, mas para mostrar ao Brasil o que está sendo feito aqui. É importante a gente ter esse olhar múltiplo, colaborativo, e entender as necessidades de cada território, de cada ciência, de cada povo. O Museu é uma casa fantástica. A gente olha as imagens do passado e percebe que a gente tem história, a ciência é uma história. Não se faz ciência de um dia para o outro”.
Presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) do Governo Federal, Luiz Antonio Rodrigues Elias agradeceu aos pesquisadores do MPEG pela dedicação e pelo compromisso com o conhecimento científico na Amazônia e defendeu que a ciência brasileira não pode ficar sujeita a interrupções. Para isso, segundo ele, é preciso fortalecer políticas públicas e se aproximar, cada vez mais, da sociedade. “Desejo que a própria comunidade científica continue aproximando-se da população, compartilhando suas descobertas, demonstrando de maneira inequívoca que a ciência está presente na vida de cada um de nós. Se em 1866, um pequeno grupo de pessoas teve a coragem de criar uma instituição dedicada ao conhecimento da Amazônia, as gerações seguintes terão a mesma determinação e a resiliência de preservá-la, ampliá-la e transformá-la em uma referência internacional”.



