A Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil atualizou as recomendações para o diagnóstico e tratamento do Transtorno do Espectro Autista (TEA) no país. O documento enfatiza um diagnóstico essencialmente clínico. O texto reforça que, para uma criança ou adolescente ser diagnosticado no espectro autista, é necessário passar por atendimento clínico baseado na observação. Também podem ser feitas entrevistas com as pessoas responsáveis pelo paciente. O protocolo faz o alerta de que alguns fatores podem até se confundir com sinais do espectro autista. Estar em vulnerabilidade social e fazer uso excessivo de telas são exemplos de condições que podem levar a um falso diagnóstico.
Intervenções sem evidências científicas muitas vezes são recomendadas até por médicos, mas, segundo as orientações da Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil, devem ser evitadas. É o caso de dietas restritivas e do uso desnecessário de vitaminas como a B12 e a vitamina D. Dieta sem glúten, quando não há doença celíaca, não deve ser indicada, assim como a dieta sem caseína e a ozonioterapia, todos protocolos sem comprovação científica de eficácia.
Ainda nos primeiros meses de vida, podem ser observados sinais como falha no contato visual, baixa reciprocidade social e ausência de vocalização. No primeiro ano de vida, sintomas como problemas de sono, irritabilidade e dificuldades alimentares. E ainda sinais como dificuldades de interação e comunicação, comportamentos repetitivos e interesses restritos. Observar os atrasos no desenvolvimento é fundamental para se aproveitar a plasticidade dos neurônios durante as fases precoces do desenvolvimento infantil.
No documento, entre os direitos que podem ser acessados por famílias com crianças ou adolescentes com autismo, está o fato de que o plano de saúde não pode limitar o número de sessões de psicoterapia.
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