Obra do Inpa vence Prêmio Jabuti Acadêmico 2025
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Publicado em
07/08/2025 13h18
Atualizado em 07/08/2025 19h56
Publicação Bilíngue do Inpa é premiada na categoria de Ciências Biológicas, Biodiversidade e Biotecnologia ao registrar Avifauna do Alto Rio Negro.
Banner: Adriel Albuquerque- Editora Inpa.
Na cerimônia de premiação, da esquerda para direita: Hadna Abreu (ilustradora livro finalista), Camila Ribas (organizadora livro premiado), Gracilene Bittencourt (organizadora livro premiado), Dzoodzo (organizador livro premiado), Noemia Ishikawa (autora livro finalista), Tito Fernandes (designer gráfico da Editora Inpa), Fernando d'Horta (organizador livro premiado). Crédito: Câmara Brasileira do Livro.
Duas publicações do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) receberam reconhecimento nacional no Prêmio Jabuti Acadêmico 2025, uma das mais importantes premiações dedicadas à valorização da produção científica no Brasil. O livro “Espécies de Aves do Rio Cubate: Terra Indígena do Alto Rio Negro” foi vencedor da categoria Ciências Biológicas, Biodiversidade e Biotecnologia, enquanto “Ariá: um alimento de memória afetiva” chegou à final na categoria de Ilutração.
Ambas as obras têm em comum a construção coletiva com povos tradicionais da Amazônia e a valorização do conhecimento tradicional e científico em conjunto. O livro “Espécies de Aves do Rio Cubate” é resultado de um trabalho em parceria entre pesquisadores do Inpa e a comunidade Baniwa da região do Alto Rio Negro. A publicação registra 310 espécies de aves observadas em campo e inclui os nomes populares em nheengatu, língua indígena falada na região.
Segundo a pesquisadora do Inpa e coautora do livro vencedor, Camila Ribas, o projeto surgiu a partir da iniciativa da própria comunidade de Nazaré do Rio Cubate, que procurou o Inpa para desenvolver um trabalho colaborativo. “A colaboração com as populações indígenas e tradicionais, com respeito e valorização dos saberes, é a única maneira de conhecer e proteger efetivamente a Amazônia”, completa.
O reconhecimento também é visto como uma conquista coletiva por quem vive no território Baniwa. “Através do livro conseguimos representar e dizer que somos importantes também para o Brasil no ponto de vista da conservação, do desenvolvimento e da ciência”, afirma o pesquisador e liderança indígena, Dzoodzo Baniwa.
Organizadores e designer gráfico do livro premiado com a estatueta do Prêmio Jabuti Acadêmico 2025. Crédito: Câmara Brasileira do Livro.
O pesquisador acrescenta que a premiação representa um avanço em termos de visibilidade para o território e o povo Baniwa.
O livro, como resultado das pesquisas, teve seu conteúdo traduzido para o Nheengatu, com tradução feita pela professora Gracilene Bittencourt, também do povo Baniwa. Ela agradeceu a oportunidade de colaborar com a mediação desse conhecimento e contribuir com a valorização da língua nativa dos que fizeram parte da construção da obra.
Para Tito Fernandes, técnico do Inpa e responsável pela produção gráfica dos livros, a conquista do Prêmio Jabuti Acadêmico 2025 representa uma honra para a Editora INPA, especialmente em uma categoria tão significativa como Ciências Biológicas e Biodiversidade, que reconhece a integração entre conhecimento científico e saberes tradicionais.
“Sobre o processo de elaboração do projeto gráfico, buscamos criar uma linguagem visual que harmonizasse o rigor científico com a riqueza cultural do povo indígena do Alto Rio Negro. Trabalhamos em colaboração com pesquisadores, comunitários e lideranças locais para incluir padrões gráficos, cores e elementos simbólicos, garantindo que o design refletisse não apenas a biodiversidade da região, mas também sua importância sociocultural”, pontua.
Momento da premiação. Crédito: Tito Fernandes.
Fernandes acrescenta que participar da produção da obra foi um processo enriquecedor, que evidenciou como a ciência pode ser ampliada e humanizada quando construída em diálogo com os povos originários. “Os conhecimentos tradicionais não apenas complementam a pesquisa, mas também a transformaram, oferecendo perspectivas únicas sobre conservação e coexistência. Ver esse trabalho reconhecido com o Jabuti é a celebração de uma parceria que vai além da academia – é um passo importante na valorização de saberes pluralistas e na construção de uma ciência mais inclusiva e representativa”, finaliza.
Ancestralidade e culinária afetiva
Já a obra “Ariá: um alimento de memória afetiva”, também finalista no Jabuti, apresenta um estudo interdisciplinar sobre o alimento tradicional ariá (Goeppertia allouia), cultivado e consumido por povos do Rio Negro. A publicação reúne relatos, receitas, registros botânicos e saberes locais, valorizando a culinária ancestral como parte da segurança alimentar e da identidade cultural amazônica.
“Partimos de um vazio de informações sobre a planta, e aos poucos, por meio de trocas e vivências em campo, o conteúdo foi tomando forma”, explica o autor principal do livro, Eli Minev-Benzecry. “Estar entre os finalistas representou o reconhecimento de um esforço coletivo para democratizar o conhecimento científico e inspirar orgulho e pertencimento”, acrescenta.
Sobre o evento
Os autores das duas obras estiveram presentes na cerimônia de premiação, realizada em São Paulo. O Prêmio Jabuti Acadêmico, em sua segunda edição, tem como missão reconhecer publicações que aproximam a ciência da sociedade.
Ao destacar livros como esses, o Jabuti fortalece a produção de conhecimento feita na Amazônia e pelos Amazônidas.
Categoria Ciência e Tecnologia
Tags: Amazonas



