Após a operação Contenção, a mais letal da história do país, o governo do Rio de Janeiro liberou neste final de semana parte das imagens da ação policial. Os vídeos, com quase 38 minutos, mostram confrontos entre policiais e traficantes nos complexos da Penha e do Alemão. Segundo a Polícia Militar, parte das gravações se perdeu porque as baterias das câmeras corporais acabaram antes do fim da operação. As imagens registram o socorro a policiais feridos, entre eles o sargento Cleiton Serafim Gonçalves, que morreu após tentar resgatar um colega. No total, quatro agentes foram mortos.
Ao mesmo tempo, a Ouvidoria da Defensoria Pública do Rio divulgou um relatório preliminar com denúncias de moradores sobre possíveis violações de direitos. O documento relata denúncias de tortura, corpos com marcas de facadas, decapitação, mãos amarradas e tiros na cabeça. Moradores relataram roubos em casas, ausência de uso de câmeras corporais e casos de assédio e importunação sexual. Também foram citados relatos de familiares de vítimas que afirmam que alguns mortos não tinham passagem pela polícia.
O Instituto Médico Legal liberou os 117 corpos dos mortos na operação. A Polícia Militar informou que 97 apresentavam histórico criminal e 59 tinham mandados de prisão em aberto, enquanto 17 não tinham antecedentes. Sessenta e duas vítimas eram de outros estados, principalmente Pará, Bahia e Amazonas. A Ordem dos Advogados do Brasil no Rio criou um observatório para acompanhar a apuração sobre o cumprimento da lei pelas forças de segurança.
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