Uma operação do Ministério Público e da Polícia Civil de São Paulo investiga a possível ligação entre o crime organizado e empresas que operam o transporte público na capital do estado. Ao todo, 12 empresas de ônibus estão entre os alvos da investigação. O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite, também é alvo dessa operação.
Segundo o Ministério Público, mais da metade das empresas de ônibus da capital, do transporte público, estaria infiltrada pelo crime organizado. Ainda segundo o Ministério Público, foi identificado o envolvimento do PCC no financiamento de campanhas eleitorais na eleição de 2024 e também nas eleições deste ano.
Entre os principais alvos desta operação de hoje (17) está o ex-vereador Milton Leite, do União Brasil, uma figura de muita influência na política não só da capital, mas também do estado. Ele ocupou uma cadeira na Câmara de Vereadores por quase 30 anos e foi presidente da casa por seis vezes.
Segundo as investigações da Polícia Civil e do Ministério Público, ele atuava diretamente na operação de várias dessas empresas investigadas por suposta ligação com o crime organizado. As apurações indicam que ele dava o aval político para muitas decisões estratégicas e seria também proprietário de uma empresa de transporte público que sofreu intervenção da prefeitura em 2024, a Transwolff, justamente porque o Ministério Público apontou uma suposta ligação com o crime organizado. Essa empresa era usada para lavagem de dinheiro.
Além dele, foi alvo da operação de hoje um ex-presidente da SPTrans, que é a empresa estatal gestora do transporte público de ônibus. Ele também é ex-secretário de Mobilidade do prefeito Ricardo Nunes.
Foram expedidos 16 mandados de prisão, sendo dez cumpridos. Para se ter uma ideia, são 12 empresas de um total de 22 que fazem o transporte de ônibus da capital. Essas viações operam mais de seis mil dos mais de 13 mil ônibus que circulam na cidade, transportando mais de 40% dos passageiros da capital.
A polícia cumpriu mandado de busca e apreensão nesta manhã na residência do ex-vereador Milton Leite, presidente municipal do União Brasil. Ele não estava na residência e é considerado foragido. As investigações o tratam como peça-chave no esquema de infiltração do PCC no transporte público.
Em comunicado enviado à imprensa, Leite afirmou ser inocente, disse que estava viajando e que vai se apresentar às autoridades em até 24 horas.
Entre os presos de hoje estão Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans e ex-secretário de Mobilidade Urbana de São Paulo, e Danilo Morgado, ex-candidato à prefeitura de Praia Grande e atual candidato a deputado estadual. Paulo Cerqueira Farias, o "Paulo Camarão", presidente do Esporte Clube Água Santa, de Diadema, na Grande São Paulo, também tem mandado de prisão preventiva contra si, mas ainda não foi detido.
De acordo com o Ministério Público, aproximadamente metade do transporte público da capital estaria envolvida no esquema criminoso, englobando 12 das 22 empresas que operam na cidade.
A prefeitura de São Paulo afirmou em nota que estuda a intervenção na empresa A2, assim como fez com as empresas Transwolff e Upbus em 2024, para proteger o sistema público de transporte. Além de encerrar o contrato, o Executivo municipal abriu processo na Controladoria-Geral e colabora com a polícia e o Ministério Público nas investigações.
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