Oropouche: conheça os sintomas, as formas de transmissão e prevenção do vírus
Ministério da Saúde monitora todas as arboviroses em tempo real, inclusive o Oropouche, através da Sala Nacional de Arboviroses Compartilhe: Compartilhe por Facebook Compartilhe por Twitter Compartilhe por LinkedIn Compartilhe por WhatsApp link para Copiar para área de transferência
Publicado em
19/08/2024 19h34
Atualizado em 19/08/2024 19h48
Foto: Flávio Carvalho/Fiocruz
O Ministério da Saúde monitora o cenário epidemiológico do Oropouche em todo o Brasil. Até o dia 19 de agosto, foram registrados 7.653 casos da doença.
Nesse cenário, a pasta tem atuado no combate ao vetor, na vigilância epidemiológica das arboviroses e na prevenção do Oropouche em todo o país. Dor de cabeça intensa, dor muscular, náusea e diarreia estão entre os sintomas mais comuns da doença.
Confira as dúvidas mais recorrentes e saiba como se prevenir.
**1)**O que é o Oropouche?
É uma arbovirose causada pelo vírus Oropouche (OROV). O vírus é transmitido principalmente por um inseto da espécie Culicoides paraensis, conhecido como maruim, meruim, muruim ou mosquito-pólvora.
**2)**Quando o vírus Oropouche foi identificado no Brasil?
O vírus foi isolado pela primeira vez no Brasil em 1960, a partir de amostra de sangue de uma bicho-preguiça (Bradypus tridactylus) capturada durante a construção da rodovia Belém-Brasília. Em 1961, foi identificado o primeiro surto em humanos no estado do Pará. Nas décadas seguintes, casos isolados e surtos foram relatados no Brasil, principalmente nos estados da região amazônica.
**3)**Como o vírus Oropouche é transmitido?
A transmissão do vírus é vetorial, feita principalmente pelo inseto Culicoides paraensis (maruim). Depois de picar uma pessoa ou animal infectado, o inseto pode transmitir o vírus para uma pessoa suscetível.
**4)**O vírus pode ser transmitido de pessoa para pessoa?
Não. A transmissão é feita pela picada do inseto infectado.
**5)**Quais são os sintomas da doença?
Os sintomas são parecidos com os da dengue e de outras arboviroses: febre, dor de cabeça, dor muscular e articular. Nesse sentido, é importante que a vigilância em saúde seja capaz de identificar casos dessas doenças por meio da investigação dos aspectos clínicos, epidemiológicos e laboratoriais, e orientar as ações de prevenção e controle.
**6)**Qual é o tempo de duração dos sintomas?
Os primeiros sintomas aparecem entre 3 e 8 dias após a picada do inseto. Os sintomas duram de 2 a 7 dias, e o vírus permanece no sangue da pessoa infectada por 2 a 5 dias após o início dos primeiros sintomas. Parte dos pacientes (estudos relatam até 60%) pode apresentar recidiva, com a manifestação de sintomas após 1 a 2 semanas a partir das manifestações iniciais.
**7)**O que fazer se tiver suspeita de Oropouche?
Os sintomas de Oropouche podem ser confundidos com os de outras arboviroses e doenças febris agudas. Por isso, no início dos sintomas, procure imediatamente a unidade de saúde mais próxima. É importante permanecer em repouso, com acompanhamento médico e tratamento dos sintomas.
**8)**Há tratamento para o Oropouche?
Não há tratamento específico disponível. Os medicamentos prescritos podem auxiliar no alívio dos sintomas, como analgésicos para as dores e antitérmicos para controlar a febre, mas não atuam na causa da doença. Ao iniciar os sintomas, o paciente deve procurar imediatamente um serviço médico disponível no SUS.
**9)**Qual remédio posso tomar para tratar a doença?
Não se automedique. Em caso de sintomas, procure imediatamente a unidade de saúde mais próxima de sua residência.
**10)**Existe vacina contra o Oropouche?
Até o momento, não há vacina disponível.
**11)**Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico do Oropouche é feito por avaliação clínica, laboratorial e epidemiológica (por exemplo, ocorrência de outros casos no mesmo local ou histórico de deslocamento do paciente para local com outros casos já identificados).
**12)**Quais são as medidas de prevenção do Oropouche?
As medidas de proteção individual incluem: evitar exposição a picadas do vetor em locais com ocorrência da doença, com uso de roupas compridas e sapatos fechados e de repelente nas partes expostas do corpo;
Já as coletivas incluem: uso de telas de malha fina em portas e janelas; limpeza de terrenos e locais de criação de animais; recolhimento de folhas e frutos que caem no solo. Vale destacar que o inseto transmissor do Oropouche se reproduz em matéria orgânica em decomposição.
**13)**Em caso de infecção durante a gravidez, o vírus pode ser transmitido para o bebê?
Sim. Há casos recentes confirmados de transmissão do vírus Oropouche da mãe gestante para o feto, mas ainda não é possível estabelecer a frequência com que isso ocorre.
**14)**Em caso de infecção durante a gravidez, o vírus pode afetar o bebê?
Sim. O Brasil foi o primeiro país do mundo a confirmar casos de transmissão vertical (da mãe para o feto) associados à infecção pelo vírus Oropouche. Os casos evoluíram para óbito fetal e anomalias congênitas. Mas ainda não é possível estabelecer a frequência com que isso ocorre.
**15)**Há testagem específica para gestante?
Não. O teste de laboratório molecular para o diagnóstico está disponível no SUS para toda a população com suspeita do agravo.
**16)**Como é feito o atendimento para casos suspeitos da doença?
Atualmente, não se dispõe de vacinas nem de medicamentos antivirais específicos para prevenir ou tratar a infecção por Oropouche. A abordagem de tratamento é paliativa, com foco no alívio da dor e da febre, reidratação e redução de náuseas e vômitos.
**17)**Existe um tempo de sintoma para a realização do teste?
Sim. Até o sexto dia do início dos sintomas.
**18)**Existe alguma recomendação específica para grávidas?
Toda gestante que apresentar febre ou sintomas compatíveis com Oropouche e outras arboviroses deverá ser acompanhada e monitorada durante todo o pré-natal.
**19)**Repelentes também podem ser utilizados como prevenção?
Sim.
**20)**O uso de telas de proteção nas casas ajuda na prevenção contra a doença?
Sim. Telas de malha fina em janelas e portas diminuem a possibilidade de contato com o inseto transmissor do vírus.
**21)**Quais são as sequelas do Oropouche?
Na maioria dos pacientes, a evolução do Oropouche é benigna e sem sequelas.
**22)**Existe algum comprometimento neurológico como sequela da doença?
Há relatos de casos com manifestações hemorrágicas (petéquias, epistaxe, gengivorragia) e com acometimento do sistema nervoso central, especialmente em pacientes imunocomprometidos. Em situações excepcionais, o Oropouche pode provocar meningite ou encefalite, o que exige acompanhamento médico regular e reabilitação para redução das sequelas.
**23)**Oropouche mata?
Sim, o Brasil registrou os primeiros óbitos relacionados à infecção pelo vírus Oropouche. O Ministério da Saúde está conduzindo pesquisas sobre a evolução da doença.
**24)**Em quais regiões do Brasil há o maior número de casos?
Desde 1960, casos isolados e surtos foram relatados no Brasil, principalmente nos estados da região amazônica. A partir de 2023, o Ministério da Saúde passou a distribuir teste de Oropouche para todos os estados brasileiros, sendo possível identificar a doença em outras partes do país.
**25)**Qual a razão para o aumento de casos no Brasil?
Em 2023, a pasta identificou que muitos casos com sintomas compatíveis com a dengue, Zika e chikungunya eram testados em laboratório e davam negativos para essas doenças. Nesse momento, o ministério começou a testar esses casos para Oropouche.
Isso não era feito antes de forma sistemática, por isso não é possível identificar sobre sazonalidade e quanto tempo o vírus está circulando em outras regiões, além do Norte.
26) Qual o risco de um surto de Oropouche no país?
Os fatores determinantes do aumento da transmissão de arbovírus estão relacionados às condições climáticas, ecológicas e ambientais. Surtos da doença podem ocorrer em decorrência de condições favoráveis ao aumento da infestação dos insetos vetores e ao processo de transmissão, uma vez que o aumento da temperatura acelera o desenvolvimento das fases imaturas dos vetores e reduz o período de incubação extrínseca do vírus nos insetos.
**27)**Em que período a doença é mais comum?
O Ministério da Saúde acompanha as detecções no país para determinar se a ocorrência da doença tem caráter sazonal. Ainda é necessário reunir dados de um período ampliado para compreender o comportamento da doença.
**28)**Onde o inseto transmissor da doença se reproduz?
Ele se reproduz em matéria orgânica em decomposição, como frutos e folhas.
**29)**Como controlar o avanço da doença?
O Ministério da Saúde está realizando pesquisas sobre ferramentas de controle do vetor. Por enquanto, a melhor forma de controlar a doença é por meio de medidas de proteção individual e coletiva.
**30)**Quais as ações efetivas do Ministério da Saúde para combater a doença?
Após ampliar a testagem de Oropouche para todo o país, o Ministério da Saúde intensificou a vigilância da doença. Estados e municípios foram orientados para a busca ativa de casos da doença e o manejo dos casos confirmados, sobretudo em gestantes.
A pasta tem realizado ainda visitas técnicas aos locais com identificação de casos e seminários técnicos com pesquisadores, para entender melhor o comportamento da doença. Além disso, são conduzidas pesquisas sobre o vetor, sobre a doença e sobre ferramentas de controle do Oropouche. E promovidas capacitações para profissionais de saúde e de vigilância.
Todos esses trabalhos são conduzidos pela Sala Nacional de Arboviroses, que funciona de forma permanente, monitorando não só a situação de Oropouche, mas também casos de dengue, chikungunya e Zika. A pasta trabalha ainda, em um plano nacional de enfrentamento às arboviroses, construído de forma coletiva.
Vanessa Rodrigues
Ministério da Saúde
Categoria Saúde e Vigilância Sanitária
Tags: vigilância em saúde e ambientearbovirosesoropouchefaq




