Em webinário promovido pela Agência, conselheiro Alexandre Freire destacou a importância do uso de dados confiáveis, comparáveis e transparentes na elaboração de regulamentos no setor de telecomunicações
“Não existe política climática eficaz sem dados confiáveis, comparáveis e transparentes. Esse ainda é um gargalo global no setor de TIC. E é justamente essa lacuna que abre a oportunidade para o que se discute aqui hoje: a parceria da Anatel com a UIT em um projeto-piloto internacional de levantamento de indicadores de emissões de gases de efeito estufa e consumo energético no setor brasileiro de TIC”, afirmou o conselheiro da Anatel Alexandre Freire, organizador do webinário.
“É justamente essa lacuna que abre a oportunidade para o que se discute aqui hoje: a parceria da Anatel com a UIT em um projeto-piloto internacional de levantamento de indicadores de emissões de gases de efeito estufa e consumo energético no setor brasileiro de TIC”, disse o conselheiro. “Ele vai testar a viabilidade real da coleta de dados no setor — o que já representa um desafio significativo —, identificar barreiras institucionais e contribuir para o arcabouço internacional de indicadores.”
Fortalecimento
O diretor regional da UIT para as Américas, Bruno Ramos, destacou a proposta como um passo decisivo para que reguladores e formuladores de políticas públicas possam gerir o setor com base em evidências, indicadores comparáveis e credibilidade suficiente para ampliar investimentos, inovação e metas climáticas.
Ramos agradeceu a colaboração das empresas do setor. “A participação de vocês é essencial para que a coleta de dados seja consistente, para que as definições sejam realistas e para que o resultado subsidie decisões melhores.”
No encerramento do evento, a superintendente-executiva substituta da Anatel, Ana Beatriz Souza, chamou a atenção para o legado da iniciativa. “Que será um setor de telecomunicações mensurável, mais limpo e eficiente econômica e energeticamente”, afirmou.
Mobilização
Segundo o conselheiro, a iniciativa representa a construção de uma capacidade regulatória robusta, posicionando o Brasil como referência global na integração entre regulação, sustentabilidade e inovação. Com esse projeto-piloto de indicadores de emissões, prosseguiu Freire, a Anatel coloca o Brasil na vanguarda da agenda ESG global, alinhando suas metas institucionais aos mais rigorosos padrões da ONU e da UIT.
Sócio-diretor da Colin Consultoria, empresa responsável pela iniciativa, Márcio Lino informou que o projeto já mobiliza operadoras de telecomunicações, data centers, fabricantes de dispositivos de usuário final — empresas que entregam o produto pronto ao consumidor, como smartphones, PCs e wearables —, fabricantes de equipamentos de rede e operadores de torres.
As empresas receberão, ainda este mês, questionários com os indicadores. Estão previstas, ainda, consulta a stakeholders e a realização de um workshop nacional. Os passos seguintes serão a validação e análise dos dados coletados, a preparação de um relatório de estudo de caso e o compartilhamento das boas práticas identificadas. O relatório final será debatido entre a Anatel e a UIT no início de maio.
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