Pesquisadores discutem sobre Amazônia e o aquecimento global durante I CNPA
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Publicado em
11/11/2024 11h50
Atualizado em 11/11/2024 11h53
Reuniu especialistas e acadêmicos para discutir as implicações do aquecimento global na maior floresta tropical do mundo - Fotos; Victor Mamede
Em um cenário de crescente preocupação ambiental, um dos debates do I Congresso Nacional de Pesquisas sobre a Amazônia, realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) por meio da Coordenação de Capacitação (Cocap), reuniu especialistas e acadêmicos para discutir as implicações do aquecimento global na maior floresta tropical do mundo.
O painel temático “A Amazônia em um planeta em aquecimento” contou com a participação dos pesquisadores do Inpa, Carlos Alberto Quesada e Flávia Costa, além do professor de Bacharelado em Meteorologia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), José Augusto Paixão.
Durante o Painel, foi apresentado um panorama sobre a situação da floresta amazônica frente às mudanças climáticas nas últimas décadas e suas possíveis consequências futuras. O debate também explorou como diferentes processos climáticos e o funcionamento dos ecossistemas podem influenciar esses cenários.
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Flávia Costa fez uma apresentação sobre “O outro lado da seca", discutindo se as secas podem ter efeitos positivos ou negativos, dependendo do tipo de floresta. De acordo com a pesquisadora, florestas com lençóis freáticos superficiais (água mais próxima da superfície do solo) podem ser mais resistentes à seca do que florestas com lençóis mais profundos, onde as árvores tendem a sofrer mais com a falta de chuva e acabam perdendo carbono. No entanto, em áreas com lençol superficial, as florestas podem absorver mais carbono durante os períodos secos, o que ajudaria a mitigar os impactos negativos das secas. Segundo Flávia, o principal questionamento é se essas florestas resistem bem a secas extremas.
“Florestas com lençol superficial, em uma parte considerável da Amazônia, são efetivamente menos vulneráveis à seca. À medida que as secas aumentam, as florestas com lençol mais profundo perdem carbono, mas as com lençóis mais rasos absorvem carbono, ajudando a diminuir o problema. Contudo, o impacto depende de quão vulneráveis essas florestas com lençol superficial são às secas muito intensas e qual a variabilidade dos níveis do lençol freático. Portanto, ainda não sabemos se os resultados que encontramos até agora se aplicam a todas as florestas da Amazônia, o que implica em expandir estes estudos para regiões mais amplas da Amazônia”. .
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Carlos Alberto Quesada, coordenador do Programa AmazonFace, trouxe uma explicação sobre “A Amazônia e as mudanças globais”, alertando sobre a necessidade de entender como a floresta está mudando e de que maneira é possível mitigar os impactos das mudanças climáticas.
De acordo com o pesquisador, os modelos atuais do sistema global geralmente predizem que a Amazônia responderá de forma significativa ao aumento de CO₂, mas dados de campo mostram o contrário. A Amazônia tem apresentado um forte declínio no sumidouro de carbono nas últimas décadas.
“Por exemplo, ao analisarmos cenários em que o planeta se torna significativamente mais quente e seco, é possível que a floresta amazônica ceda espaço a uma vegetação mais xerófila. É crucial entender quais processos estão impactando essas trajetórias”, destacou.
Quesada também ressaltou que congressos como esse são essenciais para aumentar a interação entre pesquisadores. "Os estudantes conversando entre si, às vezes aquela interação social durante o coffee break, tudo isso é fundamental. Não se faz ciência sem a troca entre pesquisadores e estudantes, assim como entre os próprios estudantes. Portanto, acho que isso é essencial; precisamos disso no instituto e no nosso estado", afirmou.
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Para colaborar com assunto, o congresso recebeu ainda a conferência "Florestas e a Crise Climática: Construindo Resiliência", com a ecóloga Mercedes Bustamante, pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB) com o objetivo de aprofundar as discussões sobre o clima na região amazônica e as possíveis estratégias viáveis.
Categoria Ciência e Tecnologia
Tags: Amazonas




