A vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan teve os testes temporariamente suspensos. O imunizante estava em fase de estudos clínicos. De acordo com o Ministério da Saúde, a suspensão será mantida até a conclusão da investigação de duas mortes suspeitas e de outros 42 eventos adversos registrados durante a pesquisa. A paralisação vale a partir desta terça-feira (9).
A retirada de circulação é justamente para investigar os motivos das reações, já que ainda não há elementos que indiquem uma relação de causa e efeito entre a vacinação e as duas mortes.
A vacina com o imunizante do Butantan começou a ser aplicada em janeiro deste ano de forma piloto em três cidades: Botucatu (SP), Nova Lima (MG) e Maranguape (CE). Em março, começou a ser aplicada na região de Araguaína (TO). Foram cerca de 83 mil doses nessas cidades. A vacina também foi aplicada em profissionais de saúde primária, num total de 417 mil doses.
O público-alvo dessa vacina é de pessoas de 15 a 59 anos e o ministério ressaltou que quem não teve reações segue imunizado normalmente.
Em nota, o Instituto Butantan disse que a eficácia global é de 79,6% e 89% contra a dengue grave, que vai aprofundar as informações sobre o uso para que, confirmando a segurança da vacina, a aplicação possa ser retomada em breve.
Uma informação importante: a outra vacina contra a dengue, a Qdenga, continua sendo aplicada. Já foram 8 milhões de doses e até o final do ano a previsão é de mais um milhão de doses aplicadas.
A partir desta terça-feira, por precaução, o Ministério da Saúde vai retirar de circulação a vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan e iniciar um monitoramento ativo de pessoas que foram imunizadas nos últimos 21 dias.
Segundo o Ministério, de janeiro a 30 de maio de 2026, das mais de 500 mil pessoas que receberam doses da vacina, 3.703, ou 0,7% do total, tiveram sintomas semelhantes ao de dengue; 42 pessoas, ou 0,008% do total, tiveram sinais de alarme. Entre eles, que inclusive precisam ser monitorados agora por quem tomou a vacina, estão: febre, dor abdominal, vômito, sangramentos, tontura e sonolência intensa.
Dos casos mais graves, uma mulher de 39 anos teve sintomas severos de dengue, foi para a UTI e depois recebeu alta. Outra mulher, de 49 anos, e um homem de 58 anos tiveram sintomas de dengue grave e morreram. O Ministério da Saúde investiga se essas mortes tiveram, de fato, relação com a vacina. De acordo com o diretor do Programa Nacional de Imunização, o imunizante é considerado eficaz e a retirada de circulação é preventiva.
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