China e Índia ainda não mandaram seus compromissos e metas no combate à crise climática para a COP30, que acontece no mês que vem em Belém. Os dois países são considerados grandes emissores de gases de efeito estufa. Esse é apenas um dos problemas a serem resolvidos até o evento, que começou a receber em Brasília um último encontro de preparação.
A pré-COP reúne cerca de 500 representantes de 67 países na capital federal para que, em dois dias, eles façam uma espécie de treino da COP que indique o que os países querem da conferência, quais os pontos de atrito e as possibilidades de acordo.
O Brasil colocou na mesa de discussões seus três objetivos principais: reforçar o multilateralismo nas decisões para reduzir o aquecimento global, conectar as discussões sobre mudança do clima à vida real das pessoas e acelerar a implementação do acordo de Paris, que quer limitar o aquecimento global a menos de 2 graus acima dos níveis pré-industriais.
O presidente em exercício, Geraldo Alckmin, reiterou o esforço brasileiro para atingir esses objetivos:
“Reduzir as emissões líquidas de gases de efeito estufa no país de 59% a 67% até 2035, em comparação aos níveis de 2005, o que equivale a alcançar entre 850 milhões e 1,05 bilhão de toneladas de CO2 equivalente.”
Dos 196 países da Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas, 62 apresentaram as chamadas contribuições nacionalmente determinadas, documento que traz os compromissos e metas para reduzir emissões de gases do efeito estufa até 2035. Grandes poluentes como China e Índia ainda não cumpriram essa etapa.
Outra preocupação é como garantir recursos para o combate às mudanças climáticas. O que se espera é conseguir até 2035 mais de US$ 1 trilhão para o financiamento das ações.
“Teremos a maior e melhor COP em participação na história, com a maior delegação credenciada na zona azul de povos indígenas. E povos indígenas e comunidades locais não são somente aqueles dentre os mais impactados pelas mudanças climáticas. Nós também somos parte das respostas”, destacou a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara.
Faltando menos de um mês para a COP em Belém, ainda há o que resolver. Foi atingido o mínimo de países, pouco mais de 160 confirmados, mas apenas 87 conseguiram hospedagem.
Para o presidente da COP, André Corrêa do Lago, outro desafio do encontro é garantir o multilateralismo e um amplo espaço de negociação:
“O que a gente quer é, antes de mais nada, assegurar que a gente tenha uma COP na qual a gente possa avançar nas negociações, evitar bloqueios de um lado ou do outro que sejam provocados pelo desejo de colocar na agenda coisas que não estão na agenda. Então, a primeira coisa é assegurar a boa vontade de todos para que a COP possa começar já com negociações.”
Hoje (13) foi dia de discussões mais globais, com a participação de ministros e de outras autoridades. Amanhã (14), segundo dia e último da pré-COP em Brasília, os participantes vão se dividir em salas para discussões de temas específicos.
Por exemplo, uma das salas vai tratar sobre energias renováveis e também sobre o processo de transição de combustíveis fósseis para energia limpa. Em outra sala haverá discussão sobre a resiliência das florestas. Em cada situação, como a floresta consegue resistir aos desmatamentos e às queimadas. Em outra, haverá uma discussão sobre mudanças climáticas com cada tipo de bioma, na Caatinga, no Cerrado e no Pantanal, por exemplo. E não pode faltar uma um dos assuntos mais tratados nas discussões, que é como conseguir o financiamento para as ações de redução dessas mudanças climáticas.
Por fim, amanhã, no fim do dia, haverá uma sessão plenária, um fechamento dos trabalhos, com a participação de todos, e cada um vai dar a sua contribuição, fazer um resumo do que foi discutido nessas salas temáticas.
Compartilhar:
