A guerra no Oriente Médio entrou nesta quinta-feira (19) no 20º dia, com alta nos preços do petróleo e do gás após ataques no Irã atingirem áreas estratégicas. O barril de petróleo Brent superou US$ 119, maior valor em uma semana. O gás chegou a subir 35% antes de recuar para cerca de 19%.
Em Washington, a diretora de Inteligência Nacional dos Estados Unidos, Tulsi Gabbard, afirmou que o regime iraniano permanece intacto, porém enfraquecido após operações militares conjuntas com Israel. Em depoimento ao Comitê de Inteligência do Senado, disse que a capacidade militar convencional do Irã foi em grande parte destruída.
As declarações contrastam com as de Donald Trump, que afirma que o poderio militar iraniano foi totalmente eliminado. Segundo Gabbard, a campanha, chamada Operação Fúria Épica, está promovendo mudanças na região e enfraquecendo o Irã e seus aliados, em um contexto de conflitos intensificados desde o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023.
A diretora de inteligência também afirmou que o Irã continua a considerar os Estados Unidos como adversário, mantém envolvimento em conflitos e não cumpre obrigações nucleares, restringindo o acesso de inspetores a instalações importantes. Durante a audiência, o diretor da CIA, John Ratcliffe, disse que o desenvolvimento de mísseis pelo Irã representa ameaça crescente e que o país pode avançar na capacidade de atingir o território continental norte-americano.
Na linha de frente da guerra, o campo de gás South Pars foi atingido por projéteis israelenses, nos primeiros ataques contra infraestrutura energética iraniana no Golfo Pérsico. A Guarda Revolucionária do Irã ameaçou retaliar e pediu que Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar evacuem instalações de energia. O campo concentra a maior reserva de gás natural do mundo, compartilhada entre Irã e Catar.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar classificou o ataque como escalada perigosa, com risco à segurança energética global. O Irã também lançou mísseis equipados com ogivas de fragmentação contra Tel Aviv, interceptados pelo sistema de defesa israelense.
Na Cisjordânia, três mulheres palestinas morreram após um ataque com mísseis iranianos, que atingiu um salão de beleza. Foi o primeiro registro de mortes de palestinos na região desde o início do conflito. Na fronteira com o Líbano, Israel ampliou o número de tropas em operações de busca por armas e centros de comunicação do Hezbollah. O grupo nega o uso de instalações civis para fins militares.
Em Teerã, milhares participaram dos funerais de comandantes e marinheiros iranianos mortos em bombardeios realizados por Estados Unidos e Israel.
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