A presidência da COP30 divulgou a oitava carta sobre a situação climática do planeta. O documento coloca a conferência como marco necessário na mudança mundial das políticas ambientais.
A adaptação climática foi o tema da oitava carta dedicada à comunidade global pela presidência da COP30, a conferência das partes da ONU sobre mudança do clima, que vai acontecer em Belém, em novembro. A mensagem principal é que se tornou essencial para a sobrevivência da humanidade implementar ações para reduzir a vulnerabilidade a impactos de secas, inundações, ondas de calor e tempestades intensas.
Segundo o documento, a era dos alertas está dando lugar à era das consequências, já que a falta de ação transforma a mudança do clima em um multiplicador da pobreza, destruindo meios de subsistência, deslocando trabalhadores e aprofundando a fome.
O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, reforçou que o financiamento deve ser visto como um investimento, em um cenário em que o financiamento global para adaptação segue subestimado e representa menos de um terço do total necessário. A conferência deve reforçar a cooperação internacional e garantir que o regime climático se aproxime da vida cotidiana das pessoas.
“Os ricos se protegerem nas cidades, se protegerem nos diferentes bairros, e os pobres serem vítimas da mudança do clima. Isso, infelizmente, já é, de uma certa forma, um fenômeno global. Então, daí a gravidade de a gente achar que a adaptação é só local. ‘Ah, é um problema do outro’, aquela coisa que você vê na televisão e que é uma coisa distante. A gente comenta na carta a questão de a mudança do clima ser um multiplicador de pobreza. Então, você não pode fazer uma adaptação seletiva. A adaptação tem que incluir todos os níveis da sociedade, e isso é muito difícil de você traduzir numa dimensão meramente privada”, destaca Lago.
Dados recentes indicam que 887 milhões de pessoas que vivem em pobreza multidimensional aguda já enfrentam, ao menos, um grande risco climático. São pessoas que já sofrem privações severas em vários aspectos simultaneamente, como saúde, educação e renda, e estão sujeitas a eventos climáticos com potencial de causar perdas financeiras, instabilidade social ou impactos profundos aos ecossistemas.
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