Durante a cerimônia, representantes da Ufersa destacaram o papel da universidade pública na democratização do acesso à educação e na construção de trajetórias acadêmicas para mulheres do interior do país.
A proposta integra os objetivos do Programa Asas para o Futuro, iniciativa do Governo Federal voltada à ampliação da participação de meninas e mulheres em áreas relacionadas à ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM), contribuindo para a redução das desigualdades de gênero, raça e território e para o fortalecimento da autonomia econômica das mulheres brasileiras.
Segundo ela, a iniciativa busca incentivar a presença feminina em áreas tradicionalmente ocupadas por homens e ampliar oportunidades de formação e inserção profissional.
O reitor da Ufersa, Rodrigo Nogueira de Codes, reforçou o compromisso da instituição com a inclusão social e a equidade de gênero. “Este é um projeto que tem compromisso com a inclusão social e também com a equidade de gênero. Aproveitem essa oportunidade e tudo o que a universidade tem a oferecer”, destacou.
Formação integrada
O Ministério das Mulheres e a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa) realizaram, na última quarta-feira (17), em Mossoró (RN), a aula inaugural do curso “Artesãs STEM: criar, conectar, gerir e vender”, iniciativa vinculada ao Programa Asas para o Futuro . A formação busca fortalecer a autonomia econômica e ampliar as oportunidades de inclusão produtiva de jovens mulheres do semiárido potiguar por meio de conteúdos relacionados à matemática aplicada, letramento digital, economia criativa e formação sociopolítica.
Para Ana Eduarda, participante do curso, a iniciativa representa uma oportunidade de ampliar horizontes, construir conexões e descobrir novas possibilidades profissionais. “Qualquer oportunidade que aparece dentro da universidade é válida. Todo conhecimento soma e ajuda a abrir novos caminhos”, destacou.
Universidade de portas abertas
Entre as participantes, a expectativa é de ampliar conhecimentos, construir redes de apoio e fortalecer a presença feminina em áreas onde as mulheres ainda enfrentam barreiras.
Com carga horária de 200 horas, o curso combina qualificação profissional e formação sociopolítica, reunindo conteúdos de matemática básica, tecnologias digitais, empreendedorismo, economia criativa e protagonismo feminino.
Representando a Secretaria Nacional de Autonomia Econômica e Política de Cuidados (Senaec) do Ministério das Mulheres, a coordenadora-geral de Inclusão Produtiva, Enfrentamento à Pobreza e à Fome, Larissa Passos, destacou que o programa foi concebido para ampliar as possibilidades de futuro de meninas e mulheres historicamente afastadas dos espaços de formação científica e tecnológica.
“Hoje a gente precisa trabalhar com os mais novos o direito e a possibilidade de sonhar. O Asas para o Futuro veio para dizer que vocês podem sonhar, podem acreditar. Existe um projeto de governo e existem ações que chegam aos territórios”, afirmou.
Estudante do campus Mossoró, Mirelle destacou a importância da iniciativa para mulheres que atuam em áreas predominantemente masculinas. “A gente ainda enfrenta preconceitos em muitos espaços. Por isso, é importante continuar firme, ocupando essas áreas e mostrando que também pertencemos a elas”, afirmou.
Coordenadora do projeto na universidade, a professora Maria Joseane Felipe Guedes Macêdo ressaltou que o curso representa o início de uma caminhada que poderá se estender para a graduação e a pós-graduação. “Hoje é apenas o início de uma jornada. Nós vamos acompanhar vocês durante esses quatro meses de curso e também na entrada de vocês na universidade. Esse é o nosso objetivo”, afirmou.
Nesta etapa, foram selecionadas 116 mulheres, entre elas quilombolas, indígenas, mães e inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico). Representando o Quilombo Nova Esperança, em Baraúna (RN), Lorena Ferreira destacou o significado da participação das mulheres quilombolas na iniciativa. “É uma esperança enorme para a nossa comunidade estar em um projeto como esse. Conseguimos ocupar esse espaço com 20 mulheres quilombolas. Este é apenas o começo de muitas conquistas que ainda virão”, afirmou.
Ocupar novos espaços
Ex-aluna da Ufersa, Aline Simões acredita que a formação pode contribuir para ampliar a participação das mulheres nos espaços de produção de conhecimento. “Já houve avanços, mas ainda temos muitos espaços a ocupar. É importante que mais mulheres estejam nesses lugares para que possamos produzir conhecimento a partir das nossas próprias experiências”, disse.
A pró-reitora de Extensão e Cultura da Ufersa, Vânia Christina Nascimento Porto, reforçou a mensagem de pertencimento e acolhimento às participantes. “Sintam-se todas muito bem-vindas. Esta é a nossa casa. E, a partir de hoje, ela também é de vocês”, declarou.
Ao se dirigir às cursistas, a pró-reitora destacou que a presença delas na universidade representa um passo importante para a ampliação da participação feminina em diferentes áreas do conhecimento. “Vocês não são o futuro. Vocês são o presente. A trajetória de cada uma de vocês é potência e a universidade precisa ouvir essas histórias”, afirmou.
“Nós queremos nossas meninas engenheiras, cientistas. Queremos que as artesãs também consigam dialogar com a tecnologia. Queremos as meninas da zona rural operando máquinas, fazendo manutenção, ocupando espaços que historicamente não foram pensados para elas”, ressaltou.
Também representante do Quilombo Nova Esperança, Suelene Bessa destacou o potencial transformador da iniciativa para as jovens quilombolas. “Espero muito que as nossas mulheres e adolescentes consigam construir um futuro aqui dentro e que, mais adiante, possam se tornar professoras, pesquisadoras, doutoras. É muito importante que as políticas cheguem às comunidades quilombolas e ampliem as oportunidades para as mulheres”, afirmou.





