O futebol mundial vive uma crise sem precedentes, com ameaça de um boicote das seleções europeias aos torneios internacionais, incluindo as próximas Copas do Mundo, a masculina de 2030 e a feminina, que está marcada para o ano que vem, aqui no Brasil.
As seleções do continente tomaram essa decisão depois que a Fifa anunciou um projeto para criar uma empresa para administrar os torneios e vender ações para investidores privados. O projeto da Fifa foi anunciado no começo desta semana pelo presidente da entidade, o italiano Gianni Infantino.
A ideia é criar uma subsidiária da entidade para comandar as operações comerciais e as principais competições. A Fifa acredita que isso poderia permitir a bilhões de dólares de investidores privados, e o valor seria revertido para os países membros. E tem um detalhe: o grupo de investidores seria liderado por Joshua Kushner, que é irmão de um dos genros de Donald Trump. A proximidade entre Infantino e Trump foi muito criticada durante a última Copa.
A Uefa, que reúne as federações dos países europeus, se manifestou contra a ideia da nova empresa desde o início. E ontem, depois de uma reunião de emergência, deu um passo a mais, garantindo que as seleções do continente não vão disputar nenhum torneio da Fifa enquanto a ideia continuar de pé. A decisão foi unânime. A Confederação Asiática e a Concacaf, que reúne as seleções da América do Norte, América Central e do Caribe, também se manifestaram contra o projeto, embora não tenham afirmado que vão boicotar os campeonatos. A Fifa garante que só vai colocar a ideia em prática se tiver apoio da maioria das federações do mundo.
Mas, contando os países europeus, asiáticos e os da Concacaf, já são dois terços do total de federações. Se elas mantiverem a posição de se opor ao projeto, a proposta não tem chance de sair do papel. O projeto foi alvo de críticas dentro da própria Fifa. O norte-americano de ascendência portuguesa, Carlos Cordeiro, que era um dos assessores mais próximos de Infantino, se demitiu. Ele afirmou que não teve nenhuma participação na proposta e se opõe completamente à criação da empresa.
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