Evento foi realizados durante dois dias e contou palestras e oficina
A Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) realizou o Seminário Letramento em Inteligência Artificial nos dias 16 e 17 deste mês, na Sala João Cardoso Aires, no campus Ulysses Pernambucano. O evento foi iniciado com palestras de Leonardo Nascimento, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), e da pesquisadora Danielle Sanches, da Fundação Getúlio Vargas (FGV/Rio), fazendo mediado pela pesquisadora da Fundação Viviane Toraci. Nesta sexta-feira, segundo dia do seminário, foi realizada a oficina “A Historicidade dos Dados Digitais e Inteligência Artificial: por uma epistemologia crítica para as Ciências Humanas” .
Leonardo Nascimento fez uma introdução sobre o funcionamento das ferramentas de Inteligência Artificial (IA) e abordou o uso de IA como ferramenta para as Ciências Sociais. Segundo Leonardo, uma das melhores ferramentas para uso na produção acadêmica atual é a RAG (Geração Aumentada de Recuperação). A técnica limita as bases de busca da IA ao que o usuário escolhe e só entrega respostas presentes nos arquivos selecionados. “Você pode subir toda a produção acadêmica de um determinado autor na ferramenta e ela só vai lhe dar respostas relacionadas a esses arquivos”, explicou.
Em sua apresentação, Danielle Sanches abordou as aplicações do uso de IA na educação e os desafios para a atuação docente. Segundo a pesquisadora, saber como funcionam esses mecanismos ajuda o educador tanto a compreender o uso pelos estudantes quanto a desenvolver novos métodos de ensino, pesquisa e produção acadêmica.
“Convencer a usar IA é muito difícil, mas a gente tem que continuar fazendo o trabalho de ensinar a lidar com as ferramentas. O mercado está em busca de profissionais que saibam lidar com essas ferramentas e, apesar desse discurso parecer neoliberal, essa é uma realidade atual da nossa área. Eu tento mobilizar a academia dessa maneira por um lado, mas pelo outro eu só continuo fazendo o que faço”, explicou.
Oficina
Neste segundo dia do Seminário Letramento em Inteligência Artificial, a pesquisadora Danielle Sanches (FGV/Rio) ministrou a oficina “A Historicidade dos Dados Digitais e Inteligência Artificial: por uma epistemologia crítica para as Ciências Humanas” - refletindo sobre a aplicação e fruição das tecnologias digitais nas pesquisas e produções voltadas ao campo das Humanidades. A oficina contou com interações práticas do público, a partir da demonstração em sites de apuração informacional, onde Danielle apontou dicas sobre marcadores e plataformas voltadas à mecanismos de busca geridos por IA. A pesquisadora ainda salientou instabilidades no terreno digital, como a ausência de arquivos/dados memoriais em detrimento de invisibilidades históricas, propondo a recuperação dessas historicidades excluídas como um ato político.



