PERNAMBUCO
O evento marcou o encerramento do projeto Museu Suape
22/09/2026 17h15
22/09/2026 17h22
O seminário "Suape em Foco - a produção fotográfica de Edmond Dansot e Alcir Lacerda", que marcou o encerramento do projeto Museu Suape, aconteceu nessa segunda-feira (21), na sala Calouste Gulbenkian, no Campus Gilberto Freyre da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), em Casa Forte. O evento refletiu sobre as transformações sofridas no litoral sul de Pernambuco, a partir das fotografias de Dansot e Alcir, desde a chegada do Porto de Suape.
No evento, realizado em parceria com o Centro de Estudos da História Brasileira (Cehibra), ligado à Diretoria de Memória, Educação Cultura e Arte (Dimeca) da Fundaj, o Museu Suape dedicou à pesquisa, digitalização e catalogação de produções imagéticas da região de Suape, que fica no litoral sul de Pernambuco.
A iniciativa foi contemplada pelo Edital de Ações Criativas para o Audiovisual (2023) da Lei Paulo Gustavo/Pernambuco, e a coordenação ficou a cargo dos antropólogos Alex Vailati, Júlia Morim e Maíra Acioli, integrantes do Laboratório de Antropologia Visual (LAV) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Durante o processo, duas grandes coleções foram exploradas: a que pertence ao fotógrafo francês Edmond Dansot, que registrou o Nordeste brasileiro de 1960 a 2010, e a de Alcir Lacerda, grande referência da fotografia em Pernambuco conhecido pelos registros em preto e branco.
Na mesa de abertura, a presidenta da Fundaj, Marcia Angela Aguiar, ressaltou a importância do projeto para o resgate da memória e a disseminação das informações. "É algo poderoso, potente e que precisa ser expandido. Pois diz respeito a Pernambuco e ao Brasil. Toda ação realizada para levar mais informações à população é relevante. Desejo que esse seja o primeiro momento e que não fique restrito a esse seminário, mas que tenha possibilidade de expandir os canais de aproximação com a sociedade", disse.
Coordenadora-geral do Cehibra, Nadja Tenório falou sobre o acervo de Edmond Dansot, adquirido pela Fundaj em 2013 e que possui mais de 123 mil documentos fotográficos. Ela destacou a importância do trabalho realizado na instituição para preservar esses registros históricos. “Não é apenas guardar papéis e filmes fotográficos, é garantir que as futuras gerações possam enxergar o passado com a nitidez e a sensibilidade desses grandes mestres. O Cehibra reafirma o compromisso com a memória social e cultural do Nordeste e do Brasil com essa preservação e a disponibilização dos acervos que nós temos.”
Em seguida, Albertina Lacerda, filha do fotógrafo, destacou o trabalho realizado por Alcir Lacerda em Suape, Gaibu e outras regiões no litoral sul, e o apelido de "Olhar de pássaro", por gostar de fazer imagens aéreas. Ela relembrou a proximidade do pai com os pescadores e sobre uma exposição realizada na beira da praia, em Tamandaré, nos anos 2000.
A pesquisadora Cibele Barbosa (Cehibra/Fundaj) chamou a atenção para a narrativa criada em volta do Porto de Suape, que, no início, era colocado como progresso, mas a realidade se mostrou diferente da teoria. Ela ressaltou a importância de recuperar esse olhar humanista dos fotógrafos, e dos seus trabalhos, e devolver à comunidade o sentimento de pertencimento com o local.
O antropólogo Alex Vailati, um dos responsáveis pela coordenação do Museu Suape, detalhou sobre como foi o processo do trabalho, a intenção de aproximar e incluir a comunidade no projeto, e a criação do museu virtual, que pode ser acessado pelos locais, e se tornou um objeto de repositório que pode ser utilizado na produção de novos materiais de pesquisa.
Rildo Plínio, da Comunidade de Suape, falou sobre revisitar as memórias do lugar em que mora e como foi mostrar as fotografias para os moradores de antes da construção do Porto de Suape, e como todos sofreram de alguma maneira com as transformações do local. "Essas fotos trazem para a gente muitas recordações de vivências e costumes. Foi maravilhoso revisitar e mostrar como foi feita essa transformação, porque essas fotos trazem essas lembranças, mas também o silêncio e indignação pela destruição do ambiente”, observou.
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