O site Intercept Brasil divulgou novos diálogos ligados ao suposto financiamento do filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. As conversas seriam entre o deputado Mário Frias, do PL de São Paulo, e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Segundo a publicação, os diálogos são de dezembro de 2024, período em que o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro teriam se reunido para discutir o financiamento do filme biográfico sobre Jair Bolsonaro. O valor mencionado chegaria a R$ 61 milhões.
As novas conversas divulgadas envolvem Mário Frias, apontado como produtor executivo da obra. Em uma das mensagens, enviada em 11 de dezembro de 2024, o deputado agradece a Vorcaro pelo apoio ao projeto. Dias depois, Frias compartilha com o banqueiro conversas com o diretor do filme e afirma que a produção seria “um milagre”. Em outro diálogo, de 22 de dezembro, os dois concordam que o filme seria uma questão de “justiça divina”. Frias também relaciona o projeto às eleições presidenciais de 2026.
As mensagens ampliaram a repercussão sobre declarações anteriores de Mário Frias. Após a divulgação dos primeiros diálogos entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, o deputado afirmou que “não havia um centavo sequer do Master no filme”. Posteriormente, disse que houve diferença de interpretação sobre a origem formal do investimento, que teria sido realizado por outra empresa.
Em outro desdobramento, Flávio Bolsonaro admitiu ter visitado Daniel Vorcaro em dezembro de 2025, quando o banqueiro já utilizava tornozeleira eletrônica. Vorcaro havia sido preso no mês anterior na primeira fase da Operação Compliance Zero, que investiga a emissão de títulos de crédito falsos. Segundo o senador, o encontro ocorreu porque Vorcaro estava impedido de sair da cidade de São Paulo.
A visita repercutiu no meio político. Nas redes sociais, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro criticou o que chamou de “vazamentos seletivos”. Já o deputado Lindbergh Farias, líder do PT na Câmara, afirmou que o caso aumenta os questionamentos sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu uma investigação sigilosa para apurar suspeitas de desvio de recursos públicos e entender como verbas enviadas por deputados chegaram a entidades ligadas ao filme sobre Jair Bolsonaro. A decisão foi tomada pelo ministro Flávio Dino, após denúncias apresentadas em abril e reforçadas pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP).
Segundo a denúncia apresentada ao Congresso, ao menos R$ 2,6 milhões em emendas parlamentares do tipo pix teriam sido destinados por aliados de Jair Bolsonaro. Entre os nomes citados estão Mário Frias, Bia Kicis, Marcos Pollon, além dos ex-deputados Alexandre Ramagem e Carla Zambelli.
As suspeitas também envolvem a Academia Nacional de Cultura e o Instituto Conhecer Brasil, entidades ligadas à produtora Karina Gama, responsável pelo filme. A empresa Go Up, também ligada à produtora, é apontada como responsável pela obra sobre Jair Bolsonaro.
Sobre as emendas parlamentares, a justiça tentou intimar Mário Frias três vezes, sem sucesso. Nessa terça-feira (19), o deputado afirmou que está nos Estados Unidos, sem previsão de retorno ao Brasil.
Um parecer da Câmara dos Deputados, elaborado em março, concluiu que não houve irregularidades na destinação das emendas parlamentares. O documento, porém, apontou que as entidades beneficiadas ainda não prestaram contas sobre a aplicação dos recursos.
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