"Ele se isola bastante, então a gente está trabalhando a socialização dele por meio das atividades. O reflexo mais positivo é que ele quer vir para o atendimento", relata a mãe, Silvana Pimentel.
"A Sofia tem suporte 1, e a modalidade vem ajudando na cognição e na parte de movimentação e equilíbrio, de um modo geral", destaca Stephanie.
Batizado
Com apenas três meses de participação no TEAtivo, Ryan Cristian, que está prestes a completar 16 anos, já apresenta mudanças significativas em seu comportamento. Praticante de capoeira e laudado com nível de suporte 2, o jovem encontrou no projeto um espaço de acolhimento.
A capoeira promoveu uma mudança significativa na vida de João Vitor Nascimento, de 17 anos. Prestes a completar um ano no projeto TEAtivo, realizado na sede da Apae Natal, o jovem tem surpreendido a família com sua evolução.
"Ele entrou no projeto no ano passado e realmente tem muitas limitações. Foi um desafio literal com ele. Mas, do jeito dele, ele entra na roda, pula, bate palma, sorri e canta a música. Para quem não conhece, pode parecer algo pequeno, mas para a mãe dele tem uma dimensão gigante", explica o educador.
"Foi muito gratificante. A gente vê o nosso filho e as pessoas sempre dizendo que ele não consegue... Ver esses professores disponíveis para ajudar, dizendo que ele tem capacidade, é maravilhoso para uma mãe. A gente precisa disso, que a sociedade veja os nossos filhos e que eles sejam reconhecidos", desabafa Edilene. "Chorei do começo ao fim vendo ele ganhar a primeira cordinha de capoeira. Só tenho a agradecer a esse projeto."
O núcleo do Programa TEAtivo na sede da Apae Natal vem imprimindo mudanças significativas na qualidade de vida de crianças e jovens com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e de suas famílias. São quatro modalidades esportivas – capoeira, atletismo, natação e futsal – desenvolvidas na sede da entidade e nas dependências da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em turmas de até 16 alunos.
Mães de atendidos destacam um aspecto em comum nos resultados do TEAtivo: a melhoria da qualidade de vida, o desenvolvimento da fala em crianças autistas não verbais, o aumento da tolerância à interação social e uma maior compreensão e respeito às regras.
Mudança significativa
“O TEAtivo é maravilhoso! Ela sempre teve muita identificação com a água! Ela tem compreensão de comandos, essas coisas, só que é muito comigo, com a mãe. Então, é importante ela ter contato com outras pessoas, com os professores, para poder interagir melhor e saber que tem que obedecer aos outros, né? O projeto fez muita diferença na qualidade de vida da Valentina, até no desenvolvimento da fala”, relata Fernanda.
A familiaridade com a água também facilitou a adaptação com a professora. "Ela já ia para a piscina na casa da avó, então isso ajudou, porque ela já sabia nadar. Se futuramente tiver alguma competição, pode ser que ela suba de nível”, conclui a mãe, mantendo expectativas realistas sobre o futuro.
"A mãe dele veio aos prantos, chorando de emoção. Ela me disse: 'professor, eu nunca imaginei ver o João Vitor participando de um evento desse, tendo uma oportunidade dessas'. Como profissional, saber que você está contribuindo diretamente na vida de uma família inteira traz uma realização indescritível. Mesmo sendo não verbal, ele chegou em casa cantando 'paranauê'. Esse projeto tem o poder de transformar histórias, e o apoio do Ministério do Esporte faz toda a diferença para essas famílias", finaliza Manassés.
Além da natação, a dedicação a outras atividades físicas potencializa os ganhos da menina. "Ela pratica balé, então isso ajuda. A natação faz com que ela tenha um comportamento de atleta e, ao mesmo tempo, permite que ela fique séria e consiga se manter atenta aos comandos", explica.
Mesmo com o pouco tempo de inserção na modalidade, o entusiasmo do adolescente tem surpreendido a família. "Ele começou há uns três meses aqui nesse projeto e não tem nenhuma resistência para vir. Ele realmente demonstra que quer estar aqui", comemora Silvana.
O TEAtivo na capital potiguar é uma iniciativa do Ministério do Esporte em parceria com a Apae Natal, que recebe ainda recursos captados por meio da Lei de Incentivo ao Esporte.
Para a mãe, o acolhimento da equipe foi um dos pontos mais marcantes dessa trajetória. "Só o professor olhar para mim e dizer 'seu filho tem capacidade, seu filho tem potencial', para mim foi maravilhoso. O TEAtivo só veio a somar", completa.
O ápice da emoção aconteceu no momento da entrega do certificado. De acordo com o professor, a reação da família traduz o impacto real do esporte inclusivo.
A natação também tem se mostrado uma aliada fundamental no desenvolvimento de Sofia Martins, de 9 anos. Segundo a mãe, Stephanie, a filha ingressou no projeto TEAtivo este ano e os resultados já são visíveis no dia a dia.
"O projeto é muito gratificante. Nossos filhos precisam desse atendimento, desse tratamento, e a evolução é muito boa mesmo, pode acreditar", relata a mãe, Edilene Nascimento da Silva. João Vitor é autista nível 3 de suporte e não verbal, o que torna suas conquistas na modalidade ainda mais marcantes. "Ele interagiu muito bem. Já canta as músicas e interage com os professores. Para nós, só veio para acrescentar e complementar ainda mais o desenvolvimento dele", emociona-se.
A emoção atingiu o ápice durante o batizado de capoeira, evento que promoveu a inclusão dos alunos do projeto com os demais frequentadores da instituição.
Fernanda Giron é mãe de Valentina, 9 anos, aluna de natação. A filha entrou no TEAtivo em 2025 para praticar atletismo, mas não se identificou com a modalidade, e migrou para a natação, assim que surgiu uma vaga. Autista com nível 2 de suporte, a menina desenvolveu bastante a parte motora e a interação com outras pessoas.
Confira mais fotos no álbum do Flickr do Ministério do Esporte.
O batizado de capoeira — momento em que os praticantes passam por um exame de graduação para receber sua corda e certificado — ganhou um significado profundo no projeto TEAtivo. Para o professor da modalidade, Manassés Araújo, o evento coroou um ano de superação e quebra de barreiras para alunos como João Vitor.





