Neste sábado (17), ocorrerá a formatura de mais 25 agricultores beneficiários do Crédito Fundiário no Rio Grande do Sul no curso superior de Tecnologia em Agropecuária. Esta é a terceira turma a concluir a modalidade, garantida com a parceria entre o Incra e a Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões/Campus Frederico Westphalen (URI/FW), por meio do Programa Nacional de Educação da Reforma Agrária (Pronera). A cerimônia está marcada para as 19h no Salão de Atos da universidade, no município de Frederico Westphalen (RS). “Sempre sonhei em voltar a estudar, desde a minha conclusão no 2º grau”, contou a formanda Silvana Ferigollo Freo, de 47 anos. Ela está ansiosa em comemorar, no evento de formatura, com sua família e as pessoas que a apoiaram durante os estudos. Silvana mora com o marido e duas filhas na propriedade de 12 hectares na localidade Linha São José, em Frederico Westphalen (RS), adquirida há mais de 20 anos pelo então Banco da Terra – hoje Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF). Ficou sabendo do curso por meio de um vizinho, que era aluno. “O curso foi excelente, um aprendizado único. Aproveitei bastante”, conta, destacando o formato em alternância, com Tempo Escola e Tempo Comunidade – um dos fundamentos do Pronera: “A gente aprende e já aplica”, diz. Durante o curso, além das disciplinas teóricas e práticas, cada aluno prepara um projeto para aplicar na sua propriedade. Silvana escolheu qualificar a bovinocultura de leite. Quando iniciou as aulas, a família passava por dificuldades com a fumicultura – a empresa que adquiria a produção havia fechado. “Sempre tivemos vacas, mas com problemas: era muito animal, pouca produção, manejo errado. No decorrer do curso, fui entendendo que poderia aumentar a renda da família e pagar os financiamentos com esta linha produtiva”, lembra. Para cuidar da pastagem e melhorar o solo, a família retomou também a suinocultura – o esterco dos porcos vira adubo. As alterações já impactaram na propriedade. “Hoje temos menos animais, mantendo a quantidade que produzíamos antes”, conta. Gosto pelos estudos A bovinocultura de leite também foi o tema escolhido pelo formando Altair Cesar Martins, para aplicar nos 9,8 hectares da família. Ele mora com os pais e o irmão de 12 anos em Pinheirinho do Vale, município próximo a Frederico Westphalen (RS). Ele ficou sabendo do curso por meio do sindicato – o presidente da organização também já foi aluno. “No início, fiquei com a pulga atrás da orelha, é uma coisa diferente. Mas com o tempo, fui pegando gosto. É algo muito importante, é uma realização profissional ter uma graduação, pelo conhecimento adquirido”, conta o jovem. “Pessoalmente, também tive um desenvolvimento muito grande no quesito da comunicação. Quando a gente sabe mais sobre um tema, fala melhor sobre ele”, avalia. Altair considera que “todos os pais querem ter um filho formado” e tem ciência da relevância do momento, para além da propriedade da família. “Ao se formar, a s pessoas ficam no local onde vivem e isso tem muita influência no desenvolvimento da região. É uma política pública muito importante e deve continuar”, afirma. Para o formando, o curso abriu também outras portas. Pegou gosto pelos estudos e vai seguir aprendendo: este semestre ele inicia outra graduação na URI/FW: o curso regular de pela universidade, sem a parceria do Pronera. Tudo para continuar o trabalho da família na propriedade. O curso A parceria com a URI/FW foi pioneira em oferecer vagas para beneficiários do PNCF por meio do Pronera, tendo a primeira turma iniciado em 2014. De lá para cá, 61 alunos já se formaram em tecnólogos em Agropecuária, chegando a 86 com a cerimônia deste sábado. A formação inclui 2,5 mil horas entre créditos e atividades complementares, a serem concluídos em 3,5 anos. “Estamos diante de duas políticas públicas complementares: o acesso à terra (PNFC) e aos estudos para cuidar da terra (Pronera) e produzir alimento de qualidade”, pondera o coordenador do curso, professor Luis Pedro Hillesheim. Segundo ele, o objetivo principal é a sucessão rural. “O curso impacta de forma efetiva, pois os estudantes elaboram o projeto profissional e da propriedade, da família, organizam a produção de alimentos e planejam seu espaço de vida”, considera. Para o educador, o curso do Pronera, via alternância, possibilita ao estudante não se desvincular da vida real, dos desafios e necessidades reais que possui, mas sim passar a operar sobre eles, resolvendo problemas e criando soluções para o desenvolvimento local. Serviço:Formatura da III Turma do Curso de Tecnologia em Agropecuária17/02/2024, às 19hSalão de Atos da URI/Campus Frederico Westphalen (RS)
16 de fev. de 2024
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13 de out. de 2025
