Na edição desta quinta-feira (15) te atualizamos sobre como está o dia seguinte ao temporal que atingiu o estado de São Paulo e deixou um rastro de destruição em vários locais, principalmente na região metropolitana. Na zona norte da capital, uma pessoa morreu após um deslizamento de terra. O lago do Parque do Ibirapuera, um dos cartões-postais da cidade, transbordou. Na região central, o Túnel do Vale do Anhangabaú precisou ser fechado por conta do alagamento e, quando a água baixou, uma cena que não se via desde os anos de 1990, com dezenas de carros empilhados.
A Defesa Civil enviou ontem 46 alertas de chuva intensa. Foram 11 chamados para deslizamento, queda de árvores, quatro para desmoronamentos e 17 de enchentes em apenas três horas.
Uma mulher morreu na Vila Brasilândia, na zona norte da capital. A Vila Clementino, que fica na zona sul, foi a região mais atingida por chuvas, foram 73 mm em 24 horas. Para esta quinta-feira, as áreas mais afetadas, de acordo com a previsão, devem ser a Grande São Paulo, a Baixada Santista e o Vale do Ribeira, com aproximadamente 80 mm de chuva.
No túnel São João Paulo II, o túnel do Anhangabaú, em apenas 40 minutos choveu mais de 42 mm, o esperado para 11 dias do mês de outubro.
Uma imagem que não se via desde a década de 90. No meio da tarde, o túnel Anhangabaú foi tomado pela água em poucos minutos. O cenário parecia de filme. Dezenas de carros que estavam presos no congestionamento ficaram amontoados. O túnel só foi aberto para o trânsito de veículos cerca de 3 horas depois da inundação, por volta das 19h. E nesse horário, ainda tinha muita gente aqui contando prejuízo.
“O que mais impressiona foi a rapidez. Eu nunca imaginei que pudesse ser algo tão rápido. A gente espera que vai subindo devagar. Não, foi questão de 5 minutos, já estava tudo tomado o túnel”, relata Fábio Tescarollo, analista financeiro.
Ocorrências como essa, no passado, levaram a Prefeitura a criar um protocolo: quando há ameaça de alagamento, o túnel é fechado para o trânsito de veículos. Não foi o que aconteceu ontem.
“O que a gente achou que faltou, foi o grande problema, foi que tinha carro atrás da gente, e eles não saíam para fora. Dava pra gente ter saído, mas foi muito devagar a ação, talvez até da CET de indicar para que os motoristas desse ré e pudessem sair. Então a gente ficou preso e agora está aqui, ó, perda total no carro”, afirma Tescarollo.
Guilherme Silva Martins, que é motoboy, teve menos sorte. O carro dele não tem seguro. Ele estava atravessando o túnel com o pai, quando a água subiu. Tudo muito rápido. “Quando chegou no meio do túnel aqui, aí o pessoal começou a buzinar lá na frente. Aí do nada, quando eu vi pela janela aqui, a água já estava vindo muito rápido e o pessoal desesperado, voltando, voltando, só a metade aqui que conseguiu voltar. Só que o restante ficou aqui e eu fiquei junto também, o carro ficou ilhado e a gente ficou em cima do carro até o corpo de bombeiros socorrer a gente”, detalha ele.
“Nunca tinha passado. Eu já vi na televisão e eu, olha, eu ficava muito impressionado. E hoje aconteceu com a gente aqui dentro desse túnel. É horrível, viu? Nossa, é a coisa mais triste”, resume Antônio Matias, técnico em eletrônica, pai de Guilherme.
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