O trabalho em plataformas digitais vem crescendo e já é uma realidade para 1,7 milhão de brasileiros, de acordo com números divulgados nesta sexta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em dois anos (2022 e 2024), esse tipo de trabalho teve um crescimento de 254%, com a inclusão de mais de 335 mil pessoas no mercado.
Segundo o IBGE, mais da metade do trabalho por plataformas (58,3%) era feito por meio de aplicativos de transportes de passageiros, com 964 mil pessoas exercendo a função. Em seguida vinham os aplicativos de entrega de comida e produtos (29,3%) e de prestação de serviços gerais ou profissionais (17,8%).
O estudo também mostra que o rendimento-hora dos plataformizados era de R$ 15,40, 8,3% abaixo do que os que não usavam a ferramenta digital. A maior parte dos trabalhadores mediados por aplicativos era do sexo masculino (83,9%), tinha nível médio completo ou superior incompleto (59,3%) e estava na informalidade (71,1%). Outro dado que chama a atenção é que apenas 25,7% contribuíam para a Previdência.
“O índice de acidentes de trabalho sofrido por esses trabalhadores, principalmente de aplicativos de entrega e que acabam sem nenhuma proteção do Estado, tem sido alarmante. Então a gente precisa de algum modelo de Previdência que consiga alcançar principalmente esse nicho novo no mercado que está tão fragilizado em relação a riscos de acidente de trabalho”, cobra Carolina Tupinambá Faria, professora de Direito/UERJ.
“E aí como eles vão se aposentar? O Estado vai conseguir absorver uma massa de trabalhadores idosos que vão querer se aposentar sem ter contribuído?”, questiona Alexandre Fraga, professor de Sociologia/UERJ.
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