O trabalho infantil caiu mais de 9% no Brasil, em 2025, chegando ao menor percentual da série histórica. Ainda assim, quase 1,5 milhão e crianças e adolescentes estavam nessa situação, no ano passado. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional de Domicílios, a PNAD Contínua, divulgada nesta sexta-feira (16) pelo IBGE.
A pesquisa considerou as crianças e adolescentes com idades entre 5 e 17 anos que realizaram atividade econômica ou atividade de autoconsumo no ano passado, ou seja, que trabalham em benefício dos moradores do próprio domicílio ou de outros parentes. O trabalho infantil é classificado pela Organização Internacional do Trabalho como perigoso, prejudicial para a saúde e para o desenvolvimento mental, físico, social ou moral dessas pessoas. Além disso também interfere na escolarização.
De acordo com a legislação do Brasil, o trabalho de qualquer forma é proibido para crianças e adolescentes com idade de até 13 anos. Entre os 14 e os 15 anos, eles podem atuar apenas na condição de jovem aprendiz. Entre 16 e 17 anos, podem trabalhar de carteira assinada, desde que não desempenhem atividades insalubres, perigosas ou em horário noturno.
De quase 1,5 milhão de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, no ano passado, 77% realizavam atividades econômicas e 23%, atividades de autoconsumo. Apesar do número elevado, houve uma queda de 9,2% de pessoas em situação de trabalho infantil na comparação com 2024. 2025 registrou o menor nível da série histórica. Segundo o estudo, a queda do trabalho infantil entre 2024 e 2025 ocorreu principalmente entre os beneficiários do Bolsa Família.
“A queda do trabalho infantil entre os beneficiários do Bolsa Família respondeu por mais de 95% da redução total do contingente de trabalhadores infantis. Ou seja, a queda do número de pessoas em trabalho infantil registrado no último ano, para o total da população, ela ocorreu sobretudo entre os beneficiários do programa”, afirma Gustavo Geaquinto, analista da PNAD Contínua.
O Sudeste é a região do país com maior número de crianças e adolescentes no trabalho infantil (481 mil). Mas, proporcionalmente à população, a região Norte apresenta o maior índice, cerca de 6,3%. Crianças e adolescentes pretas ou pardas e do sexo masculino estão mais vulneráveis ao aliciamento para o trabalho.
“É fundamental a gente atacar as causas estruturais para realizar esse enfrentamento ao trabalho infantil. A gente tem que ter o combate ao racismo, a gente precisa que a criança e o adolescente estejam no centro do orçamento público, e isso com esses investimentos, a gente vai conseguir ter mais políticas e menos pessoas vulneráveis”, pontua Katerina Volcov, secretária-executiva do FNPETI.
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