Mais um terremoto de intensidade 4,5 graus foi sentido nesta segunda-feira (29), na Venezuela, na mesma região afetada na semana passada. Não houve relato de danos. O governo atualizou para 1.450 o número de mortos na tragédia da última quarta-feira (24). O total de feridos está perto de 4.000. Esses números devem subir ainda mais. A ONU estima em 40 mil o número de desaparecidos.
O presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Jorge Rodríguez, divulgou um levantamento mostrando que 774 prédios desabaram ou foram afetados pelos terremotos, que também desalojaram quase 13 mil pessoas, que vivem em abrigos improvisados. Em Chacao, na região metropolitana de Caracas, eles se reúnem em pequenos grupos, compartilhando histórias de sobrevivência e aguardando notícias sobre quando vão poder voltar para casa.
A presidente interina, Delcy Rodríguez, disse que o governo criou uma comissão para avaliar se as casas e prédios danificados são seguros para serem habitados. Um sistema de cores será usado para classificar os edifícios e determinar se os moradores podem retornar. Também estão sendo vistoriados viadutos, pontes e estradas. Delcy também atualizou as informações sobre os esforços de recuperação no estado de La Guaira, afirmando que o fornecimento de energia elétrica foi restabelecido em cerca de 75%, o de água em 68% e as rodovias em torno de 90%.
A cada hora que passa, o cenário fica ainda mais dramático para a busca por sobreviventes e a retirada de corpos pelas equipes de resgate. A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, disse que 33 pessoas foram resgatadas no fim de semana, incluindo várias crianças. Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância, 3,9 milhões de crianças vivem nas áreas atingidas. Em La Guaira, o estado mais devastado, pai e filho foram resgatados dos escombros de um prédio que ruiu.
Parentes e amigos dos desaparecidos cavam ao lado das equipes de emergência, desesperados por qualquer sinal de entes queridos. "O terremoto foi devastador. Dá para ver aquele prédio, e minha filha ainda está lá dentro. Não a vejo há três dias. Espero que ela ainda esteja bem. A ajuda chegou, mas tarde demais”, diz Jimmy Ramirez.
Sobreviventes relataram que uma festa de aniversário estava sendo realizada no prédio quando tudo começou a desabar.
"Vi um amigo postar que precisava de ajuda, então decidi vir apoiá-lo. As chances de sobrevivência da família dele são mínimas. Mesmo assim, estamos aqui, procurando pela irmã dele, pelo marido dela e pela filha”, afirmou Carlos Ramirez.
O desespero das famílias chegou ao limite a ponto de moradores bloquearem um caminhão que transportava equipamentos pesados, exigindo que os equipamentos fossem usados naquela área, onde esperavam ajuda para continuar as buscas e o resgate das vítimas.
"É catastrófico, muito grave, estarrecedor. Nos solidarizamos com o povo venezuelano e estamos aqui para ajudar no que for possível", disse Flávia Trindade, uma socorrista brasileira.
Brasileiros que vivem há anos na Venezuela, e que estavam no país no momento dos dois terremotos, contaram pra gente como está a vida no país.
"Meu nome é Everton Schmidt Pereira. Tenho 24 anos. Tenho aproximadamente 6 anos aqui na Venezuela. Hoje nos encontramos no estado Miranda, aproximadamente 30 minutos de Caracas. É um momento muito difícil. Complicado, dolorido, assustador. É, primeiro tá longe da nossa família nesse momento tem sido muito difícil. É, dizer para vocês que os amigos, conhecidos que perdemos por esse terremoto, tem deixado uma marca muito dolorosa em cada um e cada uma de nós que tá aqui o dia de hoje. Companheiros e companheiras de sala de aula, de hospital, da vida cotidiana, que hoje, lamentavelmente, se encontram sem vida. De verdade que é muito difícil dimensionar a dor que estamos passando nesse momento."
Célia relata que, mesmo longe do epicentro dos terremotos, é impossível não se mobilizar com o que tem acontecido.
"Eu sou Célia Rodrigues da Cunha, militante do movimento sem terra, membro da Brigada Internacionalista Apolônio de Carvalho. Me encontro na Venezuela vivendo já fazem 20 anos. Nesse momento estou no estado Lara, região centro ocidente do país, às 5 horas de Caracas, longe dos acontecimentos ocorridos no dia 24. Nesse momento me encontro acompanhando toda a expressão de solidariedade que está ocorrendo em todo o país e não é diferente aqui no território. Vem sendo arrecadados alimentos e outros materiais que sejam necessários que sirvam de aporte às famílias que perderam tudo, que estão necessitando de apoio total. Existe uma comoção em todo o país e muitas pessoas gostariam de ajudar mais do que se pode fazer, mas é importantíssimo também seguir as orientações das autoridades e estar atentos e atentas a todos os processos dos acontecimentos das próximas horas."
A ajuda internacional não para de chegar à Venezuela, seja em maquinário, equipes de socorro, doações de itens básicos de sobrevivência ou financeira. Um alto funcionário dos Estados Unidos disse no fim de semana que um pacote de financiamento no valor de centenas de milhões de dólares deverá ser anunciado nos próximos dias, além dos US$ 150 milhões de dólares que o governo Donald Trump já havia liberado.
A China, que perdeu ao menos oito cidadãos nos terremotos, vai colaborar com o equivalente a R$ 76 milhões em suprimentos de emergência, que serão entregues o mais rápido possível, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.
A televisão estatal da Venezuela exibiu nesta segunda-feira um vídeo mostrando a chegada no aeroporto de La Guaira de 14 toneladas de ajuda humanitária enviadas pela Espanha. A remessa incluía equipamentos de busca e resgate, alimentos e medicamentos.
Em Lima, a comunidade venezuelana do Peru se mobiliza em apoio ao país natal. Um centro de coleta no bairro de Miraflores, em Lima, foi um dos 30 instalados em todo o país para reunir ajuda humanitária para os desabrigados.
Um venezuelano disse que o sentimento é de profunda tristeza, de grande preocupação, mas que estava feliz com a forma como os peruanos abriram as portas para os centros de coleta de ajuda humanitária.
Um grupo de 13 brasileiros que estava na Venezuela durante os terremotos da última semana chegou ao Brasil neste fim de semana. Eles foram resgatados em um dos voos da Força Aérea Brasileira que levou ajuda humanitária para o país. Até o momento, o Brasil já enviou quatro aeronaves à nação vizinha com médicos, especialistas em resgate, remédios e equipamentos. E ontem, o governo brasileiro transportou 13 cidadãos brasileiros que estavam de passagem pela Venezuela e haviam procurado a embaixada do Brasil em Caracas em caráter emergencial. Eles buscaram apoio após o fechamento do aeroporto comercial de Caracas.
Os brasileiros deixaram a capital venezuelana em avião da FAB e foram para o Rio de Janeiro. O transporte foi feito em aproveitamento da aeronave que levou ajuda humanitária ao país vizinho. O quarto voo humanitário brasileiro chegou à Venezuela na noite desse domingo, com 35 bombeiros militares de São Paulo e Minas Gerais e cerca de 7 toneladas de equipamentos de resgate.
Os bombeiros dos dois estados reforçam as equipes que já atuam em La Guaira, um dos estados mais atingidos pelos terremotos. A missão humanitária brasileira, que teve início no sábado, conta no total com 71 bombeiros, quatro especialistas da Defesa Civil, quatro técnicos da Anatel, seis cães de busca, um hospital de campanha operado por 48 efetivos da Marinha, 100 purificadores de água e quase 112 mil medicamentos e insumos médicos.
Por determinação do presidente Lula, o ministro da Defesa, José Múcio, viajará para Caracas. A capital é uma das cidades mais afetadas pelos terremotos.
A inteção é que ele se reúna com autoridades e ofereça ainda mais ajuda ao governo venezuelano.
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