A edição desta quinta-feira (25) do Repórter Brasil começa falando dos terremotos que atingiram a Venezuela no começo da noite de ontem (24). Equipes de resgate e moradores passaram o dia tentando resgatar moradores presos embaixo de toneladas de escombros na capital, Caracas, e em La Guaira.
Uma câmera de segurança registrou o exato momento em que o chão começou a tremer na Venezuela, por volta das 18h, horário local. Confusas, as pessoas olhavam de um lado para outro, tentando entender o que estava acontecendo. Em um centro comercial, os clientes tentavam correr para um local onde parecia mais seguro, em meio à fumaça e aos escombros.
Foram dois grandes terremotos, um de magnitude 7,2, seguido de um outro, de 7,5. Entre um e outro, menos de 1 minuto de diferença. O epicentro dos tremores foi bem próximo à costa, a cerca de 160 km da capital, Caracas.
As duas ondas destruíram ou danificaram pelo menos 250 prédios, segundo estimativas iniciais do governo. Até o meio da tarde de hoje, os mortos chegavam a 188 pessoas. Outras 200 estavam presas nos escombros. O número de feridos já chega a 1.520. Mas os números devem crescer ao longo das horas.
Quem estava em casa, diz que nunca sentiu nada parecido. Muitos venezuelanos dormiram nas ruas ou dentro de carros.
“Eu nunca tinha passado por nada parecido com isso. As paredes começaram a rachar. As coisas começaram a cair pelo chão. As paredes, a estrutura. Foi horrível”, relata Karim Chacon, que mora em Caracas.
“Meu filho, meu genro, minha neta e eu dormimos dentro do carro. Passamos a noite aqui porque não podemos voltar. Não sei o que vai acontecer se tremer de novo”, conta Maria Pestana, que também mora na capital venezuelana.
Em La Guaira, região mais afetada, equipes de emergência e moradores passaram o dia tentando achar sobreviventes. Com ruas cheias de escombros, o trânsito ficou difícil. Carolina Lopes procurava parentes desaparecidos. “A única coisa que eu posso dizer é que eu estou com o coração nas mãos e não sei o que fazer. É o que eu posso dizer. Eu peço que Deus olhe por nós por causa disso… Ali, dá pra ver que não sobrou nada. E eu não sei onde ele está”, desabafa.
A presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou um fundo inicial de US$ 200 milhões, com recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI), para reconstruir infraestruturas danificadas.
O forte terremoto registrado na Venezuela foi sentido em estados do Norte do Brasil. O abalo sísmico foi percebido em regiões como Amazonas, Roraima, Pará e Amapá, e causou susto em moradores, com evacuações preventivas em alguns prédios.
Em Manaus, a população relatou momentos de tensão e dúvidas sobre como um fenômeno tão distante pôde ser sentido na capital.
Em Belém, no Pará, moradores também relataram susto com o tremer de prédios, principalmente os mais altos, no centro da capital.
Não houve registro de feridos ou danos estruturais na cidade.
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