Sob sua liderança, o quilombo consolidou uma organização própria de produção, defesa e governança, reunindo populações negras e indígenas que resistiram por décadas às investidas da Coroa portuguesa. Seu legado permanece como referência na luta contra o racismo, a escravidão e a opressão, inspirando movimentos sociais e políticas públicas voltadas à promoção da igualdade racial e dos direitos das mulheres negras.
Mulheres negras: protagonismo e desafios
Tereza de Benguela: legado de luta e resistência
Ao mesmo tempo, são protagonistas de importantes transformações sociais. Em diferentes territórios, lideram movimentos comunitários, iniciativas culturais, pesquisas, empreendimentos, organizações da sociedade civil e ações em defesa dos direitos humanos, fortalecendo redes de apoio e promovendo mudanças em suas comunidades.
As mulheres negras formam o maior grupo populacional do Brasil. De acordo com dados do Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são mais de 57 milhões de brasileiras autodeclaradas pretas e pardas. Além de representarem um contingente expressivo da população, desempenham papel fundamental na construção social, econômica, política e cultural do país e da América Latina.
Conhecida como Rainha Tereza, Tereza de Benguela foi uma das principais lideranças negras do período colonial brasileiro. Após a morte de seu companheiro, José Piolho, assumiu o comando do Quilombo do Piolho, também conhecido como Quilombo do Quariterê, localizado na região de fronteira entre os atuais estados de Mato Grosso e a Bolívia.
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No dia 25 de julho são celebradas duas datas que reafirmam a importância da luta pela igualdade racial e de gênero: o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.
Instituída em 1992, durante o 1º Encontro de Mulheres Negras Latino-Americanas e Caribenhas, realizado em Santo Domingo, na República Dominicana, a data internacional busca dar visibilidade às múltiplas formas de discriminação enfrentadas pelas mulheres negras e fortalecer sua articulação política em toda a região. No Brasil, a Lei nº 12.987, de 2014, também instituiu o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, em homenagem à liderança quilombola que se tornou símbolo da resistência negra e da luta pela liberdade.
Essa contribuição também se manifesta na valorização das culturas afro-latino-americanas e caribenhas. A música, a dança, a culinária, a literatura, os saberes ancestrais e as tradições transmitidas entre gerações constituem parte essencial do patrimônio cultural da região. Práticas como o trançado dos cabelos, por exemplo, vão além da estética e representam identidade, ancestralidade, pertencimento e resistência.
Apesar dessa relevância histórica e social, mulheres negras ainda enfrentam desigualdades marcadas pela intersecção entre racismo, sexismo e desigualdades socioeconômicas. Esses fatores impactam o acesso à educação, ao mercado de trabalho, à renda, à saúde e à proteção contra diferentes formas de violência, evidenciando desafios que persistem em diversos países da região.
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Mais do que celebrar uma data, o 25 de julho reafirma a importância de reconhecer as contribuições históricas, culturais, científicas, políticas e sociais das mulheres negras e de fortalecer ações voltadas à promoção da igualdade racial, à garantia de direitos e ao enfrentamento do racismo e do sexismo.




