Programação foi inspirada na exposição “A Coisa Ficou Preta”, do artista alagoano, que segue em cartaz no Engenho Massangana
Com programação variada, a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) promoveu, durante a semana passada, reflexões sobre temas como resistência e emancipação da população negra brasileira. O evento “Atividades educativas” com o artista visual alagoano Gleyson Borges reuniu palestra, formação de professores e oficina artística, com base na exposição “A Coisa Ficou Preta”, do artista alagoano, que segue em cartaz no Engenho Massangana, equipamento cultural da Fundaj, no Cabo de Santo Agostinho. A programação foi realizada por meio do Museu do Homem do Nordeste (Muhne), que é vinculado à Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte (Dimeca/Fundaj).
As atividades começaram na terça-feira (11), quando Gleyson Borges e a pesquisadora Amanda Souza proferiram a palestra “Como a coisa ficou preta? Camadas e processos de poética visual”. Realizado na sala Sala Calouste Gulbenkian, campus Gilberto Freyre da Fundaj, em Casa Forte, o encontro promoveu uma análise sobre memória, questões raciais e processos de criação artística. Na palestra, Gleyson Borges destacou, ao compartilhar sua trajetória e os caminhos que atravessam sua produção visual, o papel da arte como ferramenta de investigação da memória, elaboração de experiências e construção de novas perspectivas sobre a realidade.
Na quarta (12), foi realizada a formação para professores da rede municipal do Cabo de Santo Agostinho com o artista visual. Em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, o evento discutiu os processos criativos do artista, o contexto de suas obras e as possibilidades de levar a arte contemporânea para a sala de aula como ferramenta de reflexão sobre questões raciais, memória, identidade e diferentes formas de interpretação. Segundo Gleyson, o diálogo com os educadores também representou uma oportunidade de pensar novas maneiras de utilizar a arte como instrumento educativo.
As Atividades Educativas com o artista terminaram com oficinas de lambe-lambe, nas quinta (13) e sexta-feiras (14), para a turma do 9º ano da Escola em Tempo Integral (ETI) municipal Joaquim Nabuco, no bairro de Massangana, próximo ao Engenho Massangana, no Cabo. O conteúdo abordou desde as origens do lambe-lambe como peça de publicidade no século XIX até o seu reconhecimento como forma de arte urbana e ferramenta de discurso antirracista.
Com apoio da equipe educativa do Engenho Massangana, a parte prática do trabalho aconteceu na ETI Joaquim Nabuco, onde a turma procurou por material (figuras, letras, frases) em revistas e livros. A ideia era que as imagens que chamassem mais atenção fossem recortadas e usadas para construir um lambe-lambe com mensagem sobre educação. Muitos dos resultados apresentaram as perspectivas dos adolescentes sobre relações entre raça e educação, incluindo o déficit educacional histórico da população negra no Brasil. Figuras relacionadas a Paulo Freire e seu livro “Pedagogia do Oprimido” também apareceram nas produções dos estudantes.



