Com mediação da pesquisadora e artista visual Amanda Souza, a palestra discutiu relações entre memória, raça e processos artísticos
A Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), por meio do Museu do Homem do Nordeste (Muhne), promoveu a palestra “Como a coisa ficou preta? Camadas e processos de poética visual” na tarde dessa terça-feira (11). Com participação do artista visual Gleyson Borges e mediação da pesquisadora Amanda Souza, o evento foi realizado na Sala Calouste Gulbenkian, no campus Gilberto Freyre da Fundaj, no bairro de Casa Forte, no Recife.
A palestra abriu a programação artística planejada entre os dias 11 e 14 de agosto, criada a partir da exposição “A Coisa Ficou Preta”, do artista visual alagoano Gleyson Borges, em cartaz no Engenho Massangana, no Cabo de Santo Agostinho. Além da palestra, serão realizadas aulas de formação para educadores do Cabo e oficinas de lambe-lambe, ambas ministradas pelo artista. A mostra “A Coisa Ficou Preta” é composta de 18 obras produzidas pelo artista.
O chefe de Estudos e Serviços Museais do Muhne/Engenho Massangana, Henrique Cruz, ressaltou a importância de espaços semelhantes ao Engenho se mostrarem abertos a realizar exposições que tratam de memória e, mais especificamente, que abordam a memória de pessoas pretas a partir das suas perspectivas e opiniões.
Ao longo de sua fala, o artista alagoano comentou como as questões raciais estão ligadas à sua identidade artística, já que a arte se tornou uma espécie de “intermediária” no processo de formação e entendimento do seu lugar no mundo enquanto um homem negro. Gleyson traçou sua trajetória de dez anos, comentando diferentes momentos da sua produção artística e seus processos de criação.
Após a palestra, foi iniciada uma rodada de perguntas do público para o artista e para a mediadora. As perguntas abordaram as relações entre questões raciais, arte (música, fotografia e artes plásticas), memória e como a cultura pode ser, também, um instrumento de amplificação para as vozes de pessoas pretas.
“Como pessoa negra, não tem como olhar pra memória sem olhar pra trauma, mas olhar para esse trauma como um processo de cura, de entender o que aconteceu, do porquê aconteceu e, talvez, responsabilizar quem precisa ser responsabilizado”, explica o artista. A programação seguirá nesta quarta-feira (14), no Centro de Formação de Professores do Cabo de Santo Agostinho, com uma aula para educadores de artes e linguagens. O evento acontecerá nos turnos da manhã (08h30) e da tarde (13h30) e é gratuito.



