Mais de 85 mil pessoas foram registradas como desaparecidas no Brasil em 2025. Embora a maioria dos casos seja solucionada, milhares de famílias ainda buscam respostas. Para fortalecer a localização e a identificação de desaparecidos, o Ministério da Justiça lançou novos protocolos e promoveu um seminário com especialistas e familiares.
Para quem tem um familiar desaparecido, o tempo parece não passar. A espera por uma resposta pode durar dias, meses ou até décadas.
“Quando falamos de desaparecimento, não falamos de números ou estatística, mas de vidas e histórias interrompidas e de famílias que convivem diariamente com a incerteza. O desaparecimento é uma das experiências mais dolorosas que uma família pode enfrentar: não há despedida, não há explicação, não há encerramento. Há apenas perguntas que acompanham mães, pais, filhos, irmãos todos os dias”, afirma Ivanise Esperidião, presidente da Associação Mães da Sé e mãe de Fabiana Silva
Foi pensando nessas famílias que o Ministério da Justiça reuniu autoridades, especialistas e parentes de desaparecidos para discutir formas de tornar as buscas mais rápidas, eficientes e humanizadas.
Durante o encontro, foram lançados materiais para fortalecer a rede de busca em todo o país. Entre eles, uma cartilha que orienta a atuação imediata de policiais militares e guardas municipais nos primeiros momentos após o desaparecimento, período considerado decisivo para as investigações.
Também foram apresentadas diretrizes para os órgãos estaduais responsáveis por coordenar esses casos e um estudo inédito sobre pessoas falecidas que ainda aguardam identificação nos institutos médico-legais brasileiros.
A proposta é integrar instituições, aprimorar os processos de identificação e reduzir a espera de quem convive diariamente com a angústia de não saber onde está um ente querido.
“O que a gente espera é um compromisso para que a espera não seja interminável, para que a busca não seja solitária, para que a dor não seja invisibilizada. Esse é o nosso compromisso, é a nossa esperança equilibrista que assumimos hoje com as tantas Marias e Clarices do Brasil”, conclui Natalia Dino, secretária-executiva do Conselho Nacional de Justiça
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