A libertação dos reféns reacende a esperança de que, desta vez, um acordo de cessar-fogo avance em Gaza. Este, no entanto, é apenas o primeiro passo rumo a uma paz mais duradoura, e os detalhes sobre o eventual desarmamento do Hamas, a governança de Gaza e a retirada completa de Israel ainda precisam ser negociados.
A libertação dos últimos reféns marca o principal avanço do último cessar-fogo, mediado pelos Estados Unidos, Egito, Catar e Turquia. O acordo chega após dois anos de uma guerra iniciada em 7 de outubro de 2023, quando o Hamas invadiu Israel, matando 1.200 pessoas e levando outras 251 como reféns. A resposta de Israel foi devastadora, transformando Gaza em um cenário de sofrimento, fome e destruição. Mais de 67 mil pessoas, na maioria civis palestinos, incluindo mais de 18 mil crianças, foram mortas.
Bloqueios israelenses à entrada de ajuda humanitária provocaram um cenário de fome extrema no território palestino. Imagens de crianças famintas e de palestinos sendo atacados a tiros quando buscavam ajuda chocaram o mundo, provocando forte reação internacional.
Sob pressão crescente, inclusive de seu maior aliado, os Estados Unidos, não restou ao primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, outra opção a não ser voltar à mesa de negociações. O premiê israelense, no entanto, enfrenta obstáculos políticos. Sua base de apoio, de ministros ultranacionalistas, já ameaçou deixar a coalizão dependendo dos termos do acordo, o que poderia levar ao colapso do governo.
Este é o terceiro acordo de cessar-fogo firmado entre Israel e o Hamas desde o início da guerra. Em novembro de 2023, os dois lados do conflito tiveram uma trégua de quatro dias para a libertação dos primeiros reféns e de prisioneiros palestinos. Em janeiro, uma nova tentativa de paz fracassou após dois meses, devido a Israel não se comprometer em retirar suas forças armadas de Gaza e ao Hamas, por sua vez, se recusar a libertar todos os reféns. Em resposta, Israel bloqueou a entrada de toda ajuda humanitária no território palestino.
No início de setembro, um ataque aéreo de Israel contra a equipe de negociação do Hamas no Catar pareceu afastar ainda mais a perspectiva de paz. Mas, na quarta-feira (8), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, surpreendeu o mundo ao anunciar que Israel e o Hamas haviam firmado o que ele chamou de “a primeira fase de um acordo de paz”. A devolução dos reféns em troca da libertação de prisioneiros palestinos e o recuo das tropas israelenses mostram que o acordo, por enquanto, está sendo seguido por ambos os lados da guerra.
Mas as condições para a paz em Gaza, no entanto, ainda são nebulosas. Pontos sensíveis do tratado, como o desarmamento do Hamas, a governança de Gaza e a retirada completa de Israel, ainda precisam ser negociados. Netanyahu já afirmou que o Hamas será desarmado por bem ou por mal. Já o grupo palestino, por sua vez, afirmou que só entregará suas armas quando for criado um Estado palestino.
A TV Brasil conversou com especialistas em Oriente Médio para tentar entender como será o futuro dessa relação entre Israel e Palestina. Confira.
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