Iniciativa tem como principais objetivos valorizar e difundir legado do músico
Um dos maiores nomes da música pernambucana e reconhecido internacionalmente pelas habilidades na percussão, Naná Vasconcelos (1944 - 2016) vai ganhar um documentário que reúne acervos inéditos. O filme “Naná - Um Griô Pelo Mundo” foi anunciado em seminário promovido no Auditório Aloísio Magalhães, no campus Ulysses Pernambucano da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), no Derby, nesta terça-feira (11).
A iniciativa tem como principais objetivos valorizar e difundir o legado de Naná, ampliando o alcance de sua obra. Com imagens raras, registros inéditos e depoimentos de lendas da música, a produção revela como o artista fez do som uma ponte entre culturas e espiritualidade e, como um Griô contemporâneo, espalhou sua sabedoria musical e transcendental por onde passou.
O evento contou com a participação de professores, pesquisadores e estudantes, integrantes da Cátedra Naná Vasconcelos, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), além de músicos da cena musical pernambucana.
Durante a mesa de abertura do seminário, a diretora de Formação Profissional e Inovação (Difor) da Fundaj, Ana Sousa Abranches, representando a presidenta Márcia Angela Aguiar, destacou o compromisso da instituição com a preservação do legado de artistas como Naná. “A Fundaj é uma Casa de formação, memória, cultura e de pesquisa, então esse é o lugar onde a gente constrói esses projetos”, afirmou.
Já o diretor de Memória, Educação, Cultura e Arte (Dimeca), Túlio Velho Barreto, reforçou que “diversas instituições culturais e acadêmicas têm tratado a obra de Naná Vasconcelos a partir da manutenção e preservação da memória dele”.
O documentário “Naná - Um Griô Pelo Mundo” será dirigido e roteirizado por Patrícia Palumbo e Alessandra Dorgan e vai utilizar arquivos inéditos do acervo de arquivos do multi-instrumentista, administrado por Patrícia Vasconcelos, viúva de Naná e curadora de sua obra. Os estudos da Cátedra também servirão como base narrativa do filme.
Para Patrícia Vasconcelos, o filme marca um momento desafiador e estimulante. “É muito forte para mim saber que quem vai cursar esse percurso já teve contato e pesquisa prévia. É deixar a história dele bem escrita e bem fundamentada”, afirmou. Patrícia Palumbo complementou: “É uma história que precisa ser contada. É muito interessante que a gente esteja começando uma pesquisa assim, coletivamente, e o grande desafio vai ser entender na ilha de montagem o que a gente vai privilegiar e o que a gente vai deixar de fora”.
A roda de conversa do seminário foi composta por Túlio Velho Barreto, Patrícia Vasconcelos, Patrícia Palumbo, pelo professor da UFRPE e coordenador da Cátedra Naná Vasconcelos, Moisés Santana, e pelos jornalistas José de Teles e Michelle de Assunção.
Durante o bate-papo, os participantes destacaram a importância de Naná para a música brasileira e contaram histórias que podem contribuir com a produção do documentário. Ao final do encontro, o grupo Maracatu Baque Navegante, com o Mestre Toinho, se apresentou em homenagem ao musicista.


