Evento realizado em parceria com a UFRPE reuniu pesquisadores e mestres da cultura popular para discutir memória, maracatus e políticas culturais em Pernambuco
A Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), em parceria com a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), realizou, na sexta-feira (22), no campus Ulysses Pernambucano, no Derby, o seminário “Naná Vasconcelos, os Maracatus e o Carnaval do Recife”. O encontro marcou os 10 anos da morte de Naná Vasconcelos, considerado um dos maiores percussionistas do mundo, e reuniu pesquisadores, representantes institucionais e integrantes do movimento cultural pernambucano.
A programação foi aberta com apresentação cultural da Escola de Música Naná Vasconcelos, vinculada à Cátedra Naná Vasconcelos da UFRPE. Em seguida, a mesa institucional contou com Moisés de Melo Santana, do Programa de Pós-Graduação em Educação, Culturas e Identidades da UFRPE; Túlio Velho Barreto, diretor de Memória, Educação, Cultura e Arte da Fundaj; Ana Abranches, diretora de Formação Profissional e Inovação da Fundaj, representando a presidenta da instituição, Márcia Angela Aguiar; o professor Roberto de Albuquerque Melo, da UFRPE; a presidenta da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco (Facepe), Maria Fernanda Pimentel; a coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Educação, Culturas e Identidades da UFRPE, Flavia Peres; e Feliciano Félix, representante do Ministério da Cultura.
Durante a abertura, Moisés de Melo Santana destacou que o seminário também teve o papel de apresentar à sociedade os resultados das pesquisas desenvolvidas sobre a trajetória e o legado do artista. “É um prazer estarmos aqui nesse seminário, que pode ser considerado uma prestação de contas das pesquisas que estão caminhando para seu momento final”, afirmou.
Já a diretora Ana Abranches destacou a permanência do legado de Naná Vasconcelos na cultura brasileira. “Lembramos dez anos da partida de Naná, da saudade de um mestre que transformava o silêncio em poesia e o som em encontro. O talento de Naná atravessou fronteiras, mas seu coração seguiu ligado às raízes do nosso povo. Sua ausência física nunca diminuiu sua presença, que segue viva nos palcos, nos tambores e nas pessoas que aprenderam com sua generosidade”, acrescentou.
A programação incluiu ainda uma roda de diálogo sobre cultura popular, memória e políticas culturais, reunindo Lindivaldo Oliveira Leite Júnior, do Ministério da Cultura; Mestre Fábio Sotero, da Associação dos Maracatus Nação de Pernambuco (AMANPE); Ana Paula Guedes, ex-integrante do Voz Nagô; Paz Brandão, ex-gestora do Núcleo Afro da Secretaria de Cultura do Recife; Mestre Chacon Viana, diretor do Núcleo Afro da Secretaria de Cultura do Recife; e Claudilene Silva, da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab). A mediação foi realizada por José Nilton de Almeida, do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da UFRPE.
Na ocasião, a viúva e curadora da obra de Naná, Patrícia Vasconcelos, afirmou que o encontro teve como objetivo ampliar a circulação do conhecimento produzido sobre o artista e fortalecer a preservação de seu legado. “A proposta do evento é difundir ainda mais o legado de Naná, sua obra e o conhecimento que ele deixou. Estamos todos em estado de celebração, porque esse conhecimento compartilhado será mais uma semente para cultivar o legado dele”, disse.
Patrícia também destacou a relação de Naná com os maracatus e com a educação. “O maior legado é justamente esse conhecimento transmitido aos mestres do maracatu, um movimento que segue vivo e se transformou no Tumaraca. A dimensão de Naná é gigante. A obra dele percorreu o mundo, se conectou a projetos sociais, à sociedade e às crianças. Ele soube usar a música como instrumento de educação”, afirmou.
O seminário apresentou resultados parciais da pesquisa e do vídeo “Naná Vasconcelos – 10 Anos Doutor Honoris Causa UFRPE”, em mesa com participação de Moisés de Melo Santana e Patrícia Vasconcelos, integrante da Cátedra Naná Vasconcelos e viúva do músico. Na ocasião, foi lançado o Repositório Digital Arandu UFRPE – Cátedra Naná Vasconcelos.
O diretor de Memória, Educação, Cultura e Arte da Fundaj, Túlio Velho Barreto, ressaltou a importância científica e cultural da iniciativa, além do caráter público da devolutiva dos estudos financiados pela Facepe. “É um evento importantíssimo tanto do ponto de vista científico quanto cultural. É a devolutiva de uma pesquisa financiada pela Facepe, e não é comum vermos um evento dessa dimensão no meio acadêmico para dar uma devolutiva à sociedade. Na área da cultura, sem dúvida, Naná é um exemplo de artista que engrandece Pernambuco, o Brasil, e é reconhecido mundialmente”, concluiu.
O encerramento foi marcado por um cortejo do Maracatu Nação Porto Rico, que percorreu os corredores da Fundaj até o jardim da instituição, em homenagem à trajetória artística e cultural de Naná Vasconcelos.



